Os gastos de brasileiros no exterior bateram recorde no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pela queda do dólar e pelo aumento das despesas com viagens internacionais, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira, 24.
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No primeiro trimestre, o aumento foi de 21,9%. Entre janeiro e março de 2026, o gasto no exterior foi de US$ 6,04 bilhões ante US$ 4,95 bilhões, no mesmo período do ano passado. Apenas em março, os brasileiros gastaram US$ 1,99 bilhão fora do País, alta de 27,8% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Esse é o maior valor para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995. O mês de março também teve o maior valor da série histórica.
Com isso, o déficit na conta de viagens internacionais, que mede a diferença entre gastos de brasileiros no exterior e de estrangeiros no Brasil, chegou a US$ 1,06 bilhão no mês, avanço de 68,3% em relação a março do ano passado, quando a diferença era de US$ 628 milhões.
O movimento contribuiu para a ampliação do déficit na conta de serviços, que somou US$ 4,78 bilhões em março, e também pressionou o resultado das transações correntes, que registraram saldo negativo de US$ 6,03 bilhões no mês.
O aumento das despesas com turismo internacional está associado, entre outros fatores, à valorização do real frente ao dólar, que barateia os custos de viagens ao exterior para os brasileiros.
Apesar da alta nos gastos, as receitas com estrangeiros no Brasil permaneceram praticamente estáveis, em US$ 934 milhões em março, o que ampliou ainda mais o saldo negativo da conta.
No acumulado em 12 meses até março, o déficit em transações correntes alcançou US$ 64,3 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), indicando pressão crescente das despesas externas sobre o balanço de pagamentos.
Depois de iniciar 2026 cotado a R$ 5,49, o dólar comercial é negociado fechou a última quinta-feira, 23, na casa de R$ 5,01, acumulando desvalorização de cerca 8,7% no ano.