Silveira confirma aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% em maio

Segundo o ministro, gasolina ficará mais barata com a medida; assunto será tratado na próxima reunião do CNPE, em 7 de maio

24 abr 2026 - 15h53
(atualizado às 16h51)

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, confirmou nesta sexta-feira, 24, a decisão do governo de aumentar a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%, como antecipou o Estadão/Broadcast. O tema será apreciado na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para 7 de maio.

Ele participa neste momento da 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, evento organizado pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA). Além da redução dos preços da gasolina, o ministro também avaliou que a elevação da mistura do etanol tornará o Brasil "autossuficiente" na gasolina. Esse argumento parte da perspectiva de reduzir a necessidade de importações e também a dependência de combustíveis fósseis.

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Ministro relatou que já estão aprovados os testes sobre mistura do etanol na gasolina nos porcentuais de 28% a 32%
Ministro relatou que já estão aprovados os testes sobre mistura do etanol na gasolina nos porcentuais de 28% a 32%
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O anúncio ocorreu em Uberaba (MG), reduto eleitoral do ministro. Foi o mesmo local escolhido por Silveira para anunciar o projeto do governo em elevar o teor de etanol na gasolina para 30%, vigente desde agosto do ano passado.

A Lei do Combustível do Futuro determina que o aumento do porcentual obrigatório do etanol na gasolina deve ser aprovado somente após verificação da viabilidade técnica da mistura para os veículos automotivos. Hoje, o ministro relatou que já estão aprovados os testes sobre mistura do etanol na gasolina nos porcentuais de 28% a 32%.

"O etanol, os biocombustíveis não competem com a produção de alimento. Então, portanto, quem quer descarbonizar de verdade a indústria autointensiva, principalmente a de mobilidade e transporte, faz parceria com o Brasil, investe no Brasil em biodiesel, investe em etanol para descarbonizar o planeta e para poder gerar a nova economia que o mundo todo precisa", declarou Silveira.

No País, a expectativa é de que sejam produzidos 4 bilhões a mais de etanol neste ano. A Safra Mineira de Açúcar e Etanol deve atingir 83,3 milhões de toneladas, representando crescimento de 11,6% em relação ao ciclo anterior.

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Gasolina ficará mais barata, diz ministro

Silveira disse hoje que a gasolina ficará mais barata com a elevação da mistura de etanol em 32%. Ele também argumentou que a medida tem potencial de reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina.

Esse volume seria suficiente para zerar a dependência externa da importação do combustível. Ou seja, na avaliação dele, poderá ser atingida a condição de autossuficiência.

A medida será adotada após os testes já realizados no país, que comprovaram a viabilidade técnica da mistura durante os estudos conduzidos para a mistura em 30% em 2025, segundo o MME. A Pasta assegura que está garantida a segurança na implementação.

O fator central para a decisão é o preço. A cotação do petróleo no mercado internacional, com reflexo em derivados como a gasolina, foi elevada significativamente após o acirramento do conflito no Oriente Médio. Nesse cenário, ampliar o uso do etanol seria uma medida visando reduzir custos.

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"Já tivemos os testes aprovados quando adotamos o E30. E nós nos tornaremos autossuficientes em gasolina. Absurdamente, o governo anterior vendeu refinarias. No momento de guerra, como essa, vemos a importância da segurança do suprimento", afirmou o ministro. Ele participa neste momento da 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, evento organizado pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA).

A elevação da mistura terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, prorrogáveis por igual período, conforme deliberação do CNPE. "A proposta integra um conjunto de ações do MME voltadas a garantir segurança energética no curto prazo e consolidar soluções estruturais para o país", declarou o MME.

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