Mosaic vê produtor mais cauteloso e reforça aposta em fertilizantes biológicos

Para companhia, combinação de preços pressionados, juros elevados e encarecimento dos fertilizantes abre espaço para maior adoção de produtos biológicos e hidrossolúveis

29 abr 2026 - 10h57

RIBEIRÃO PRETO - A Mosaic tem na 31ª Agrishow, que acontece até 1º de maio em Ribeirão Preto (SP), a expectativa de consolidar o avanço de novas linhas de biológicos e fertilizantes hidrossolúveis, enquanto acompanha um mercado mais cauteloso e pressionado pela alta dos custos de produção.

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Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o vice-presidente comercial da companhia, Felipe Pucci, afirmou que a guerra no Oriente Médio, especialmente pelos impactos logísticos no Estreito de Ormuz, elevou a preocupação com preços e oferta de fertilizantes, mas a empresa ainda não alterou sua projeção de vendas para o ano.

Segundo Pucci, a Agrishow é uma das feiras mais importantes para a companhia e o foco em 2026 está na consolidação de lançamentos realizados nos últimos dois anos, principalmente na linha de biosciences e nos fertilizantes hidrossolúveis, que complementam os adubos minerais tradicionais.

Apesar do cenário geopolítico, Mosaic não revisou projeção comercial para 2026
Apesar do cenário geopolítico, Mosaic não revisou projeção comercial para 2026
Foto: Mosaic/Divulgação / Estadão

"A gente continua ofertando aquilo que há de melhor em fertilizantes minerais, mas essas novas linhas vêm complementar e auxiliar ainda mais a busca por produtividade, que hoje é ainda mais importante para o agricultor", afirmou.

De acordo com ele, a atual combinação de preços pressionados das commodities agrícolas, juros elevados e encarecimento dos fertilizantes abre espaço para maior adoção dessas tecnologias. Produtos biológicos e hidrossolúveis, segundo o executivo, ajudam a elevar a eficiência nutricional e a produtividade, especialmente em um momento de margens mais apertadas.

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Pucci destacou que a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e seus desdobramentos sobre o fluxo global de insumos já afetam diretamente o mercado. Segundo ele, cerca de 40% do enxofre utilizado na produção de fósforo e aproximadamente um terço dos nitrogenados passam pelo Estreito de Ormuz, rota hoje pressionada pelo conflito.

"Não é apenas uma questão de menor oferta, mas principalmente logística. Você tem atrasos, rotas alternativas mais caras e isso naturalmente eleva os preços dos fertilizantes e aumenta a preocupação com eventual escassez", disse.

Nesse cenário, ele avalia que os biológicos podem ganhar ainda mais espaço, embora o produtor não vá deixar de lado os fertilizantes convencionais. Soluções como solubilizadores de fósforo, por exemplo, podem ajudar a mitigar parte do impacto da alta dos custos, disse.

Apesar desse cenário geopolítico agudo, a Mosaic não revisou sua projeção comercial para 2026. Segundo Pucci, a compra de adubos por parte dos produtores rurais está 15 pontos porcentuais atrasada neste período do ano em relação a igual período do ano passado, quando 65% das aquisições já haviam sido feitas. Mas, segundo Pucci, o atual atraso nas compras reflete mais um "adiamento de decisão do produtor do que uma redução consolidada de adubação". "Em algum momento essas compras vão ter que ocorrer", diz o executivo.

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Ao mesmo tempo, os chamados "lineups" nos portos — a oferta futura de fertilizantes já programada — estão entre 15% e 20% menores que em igual momento de 2025, o que amplia a preocupação com abastecimento de fertilizantes no País, diz Pucci.

"Você tem mais volume ainda para ser transacionado e uma oferta aparentemente menor. Essa combinação preocupa e por isso nossa principal recomendação ao produtor é gestão de risco", afirmou. Segundo o executivo, muitos agricultores aguardam para entender se a guerra pode se arrefecer e permitir uma acomodação dos preços, mas, na visão do executivo da Mosaic, adiar todas as compras "pode ser perigoso". "Não há muito mais espaço para esperar. Quem deixar para comprar tudo no fim da janela pode encontrar condições ainda mais desafiadoras", alertou.

Pucci também reconheceu que o endividamento do produtor rural e o ambiente de crédito mais restritivo exigem maior cautela de toda a cadeia, inclusive da indústria de fertilizantes. "O endividamento gera cuidados para todos os players do mercado. Estamos falando de juros altos e margens comprimidas. Existe risco e, por isso, a gestão precisa ser ainda mais cuidadosa."

Além das grandes culturas como soja, milho e cana, a Mosaic também busca reforçar sua presença entre pequenos e médios produtores de hortifrúti e outras culturas intensivas do Sudeste, segmento considerado estratégico pela empresa, especialmente para a expansão da linha de especialidades e fertirrigação. "A Agrishow também é movida por pequenos e médios produtores. Para eles, a fertilização não é complementar, ela é o próprio produto, todo o nutriente vem dali", destacou.

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