As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com altas, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries e das cotações do petróleo no exterior em função das dificuldades de transporte no Oriente Médio.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,205%, com elevação de 6 pontos-base ante o ajuste de 14,143% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,725%, com alta de 7 pontos-base ante 14,657%.
O transporte de petróleo e gás seguia travado no Oriente Médio pela guerra entre EUA e Irã. Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, ações dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, estão prejudicando o tráfego no Mar Vermelho.
Durante a tarde, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que ninguém poderá vender petróleo em uma região onde o Irã não possa fazer isso. Já a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã alertou que a rota sul do Estreito de Ormuz está minada.
Em reação, o petróleo Brent se manteve em alta firme durante a sessão, perto dos US$95 o barril em alguns momentos, reforçando preocupações quanto aos efeitos da guerra sobre a inflação e a taxa de juros nos países, incluindo o Brasil.
Após subirem no início da sessão, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo depois da abertura da bolsa brasileira, com o Ibovespa sustentando ganhos fortes, mas na sequência voltaram a avançar, alinhadas aos Treasuries e ao petróleo.
Após marcar a mínima intradia de 14,625% (-3 pontos-base) às 10h44, na esteira da abertura da bolsa de valores brasileira, a taxa do DI para janeiro de 2025 atingiu a máxima de 14,745% (+9 pontos-base) às 15h09.
Embora o mercado siga convicto de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoverá novo corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, a despeito do cenário externo, os investidores seguem divididos sobre o que será anunciado em setembro: novo corte ou manutenção.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, e o Banco Central tem insistido no discurso de que as próximas ações dependem dos dados da economia.
No campo comercial, a nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira, podendo impactar o fluxo de dólares para o Brasil e, no limite, o câmbio e a própria inflação. No entanto, o governo brasileiro seguia cauteloso ao tratar do assunto.
Em entrevista à rádio Bandeirantes FM mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que reciprocidade não é vingança e que ela será adotada quando o governo considerar adequado.
No exterior, às 16h38 o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 3 pontos-base, a 4,663%. Já o petróleo Brent tinha alta de 3,35%, aos US$94,22 o barril.