As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) seguem com altas firmes nesta sexta-feira, superiores a 10 pontos-base em vários vértices da curva a termo, após a inflação pelo IPCA-15 em fevereiro ficar bem acima do projetado pelo mercado, com os preços de serviços pressionados.
Às 10h07, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,625%, em alta de 14 pontos-base ante 12,483% do ajuste da véspera. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,34%, com elevação de 5 pontos-base ante 13,287%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, acelerando ante os 0,20% de janeiro e bem acima da projeção mediana captada em pesquisa da Reuters com economistas, de 0,57%.
Nos 12 meses até fevereiro, a taxa avançou 4,10%, acima da projeção de 3,82%.
A abertura do índice também foi desfavorável, com serviços avançando de 0,15% em janeiro para 1,49% em fevereiro, conforme cálculos do banco Bmg. A taxa de serviços subjacentes passou de 0,53% para 0,66% no período, enquanto a de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,74% para 0,66%.
"O problema foi o item passagens aéreas, que vinha surpreendendo para baixo e desta vez surpreendeu para cima", comentou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. "Nós esperávamos queda de 7% em passagens aéreas, mas veio alta de 11,6%."
Os preços de passagens e do grupo educação -- que teve alta de 5,20% -- estiveram entre os principais responsáveis pelo descompasso entre as previsões do mercado e o resultado efetivo do IPCA-15.
A média dos núcleos medidos pelo Banco Central, conforme cálculos do Bmg, foi de 0,42% para 0,65%.
"O IPCA-15 de fevereiro surpreendeu significativamente para cima, impulsionado principalmente pela alta inesperada em passagens aéreas e no seguro voluntário de veículos, o que pressionou a abertura de serviços", disse Mariana Rodrigues, economista da SulAmerica Investimentos, em comentário escrito.
A divulgação do IPCA-15, ocorrida na abertura do mercado de renda fixa, disparou ajustes imediatos na curva de DIs, em especial entre os contratos de curto prazo, com os agentes reagindo negativamente ao resultado.
A taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a máxima até o momento de 12,660% às 9h03, em alta de 18 pontos-base ante o ajuste da véspera, com investidores reduzindo um pouco as apostas de que o Banco Central em março cortará em 50 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 15%.
"Mas o IPCA-15, na nossa visão, não muda o plano de voo do BC não -- ele só dá uma assustada. Nosso cenário segue com corte de 50 pontos-base da Selic em março", pontuou Serrano.
No exterior, este início de dia é de queda dos rendimentos dos Treasuries. O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 3,983%.