Taxas dos DIs avançam sem que haja acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra

11 mai 2026 - 16h53

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira ‌em alta, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após Irã e EUA não terem chegado a um acordo para dar fim à guerra no Oriente Médio.

No fim da tarde, a taxa do Depósitos Interfinanceiros (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,77%, em alta de 16 pontos-base ante o ajuste de 13,61% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI ⁠para janeiro de 2035 estava em 13,85%, com elevação de 14 pontos-base ante o ajuste de 13,712%.

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Já ‌o rendimento do Treasury de dez anos US10YT=RR -- referência global para decisões de investimento -- subia 5 pontos-base, a 4,410%.

O Irã divulgou no domingo uma proposta para dar fim à guerra em todas as frentes, ‌incluindo no Líbano, onde Israel combate os militantes do Hezbollah. ‌O país solicitou uma compensação por danos de guerra e o fim do bloqueio naval dos ⁠EUA, com soberania iraniana no Estreito de Ormuz e garantia de que não haverá novos ataques, entre outras exigências.

Sem dar detalhes, Trump classificou a proposta no domingo como "totalmente inaceitável", mantendo o impasse sobre a guerra. Nesta segunda-feira, Trump voltou a atacar as exigências do Irã, chamando a proposta -- na verdade, uma resposta a outra proposta feita anteriormente pelos EUA -- de "estúpida".

Trump disse ainda que o cessar-fogo entre os países está "respirando ‌por aparelhos".

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Em reação, o petróleo Brent voltou a subir nesta segunda-feira, para perto dos US$104 o barril neste ‌fim de tarde, reforçando a percepção ⁠de que a continuidade ⁠da guerra terá impactos inflacionários relevantes ao redor do mundo, incluindo no Brasil.

Em estudo distribuído nesta segunda-feira, o banco ⁠Daycoval indicou que o choque da oferta -- em um contexto ‌de redução do petróleo ofertado em ‌todo o mundo em função do fechamento do Estreito de Ormuz -- "é o principal motor da recente alta da inflação". 

"A decomposição da inflação medida pelo IPCA mostra com clareza o papel crescente do choque de oferta na inflação recente", registrou o Daycoval. 

"No 1° trimestre de 2026, a variação ⁠trimestral acumulada da inflação medida pelo IPCA foi de 1,4%, com o componente de oferta respondendo por cerca de 0,82 pp deste resultado -- retomada relevante após o recuo observado ao longo de 2025."

Na manhã de terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o IPCA, o índice oficial de inflação, relativo a abril. 

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Sem um acordo entre EUA e ‌Irã, com o petróleo em alta, os rendimentos dos Treasuries subiram nesta segunda-feira, assim como as taxas dos DIs, com investidores cautelosos sobre o ciclo de cortes da taxa básica Selic nos próximos meses. 

Na ⁠quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 64% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 24,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 10,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Um mês antes, em 7 de abril, os percentuais eram de 32,5% para corte de 25 pontos-base, 29,5% para manutenção e 28% para redução de 50 pontos-base. 

No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 seguiu em 13,00%, mas para o encerramento de 2027 passou de 11,00% para 11,25%, com os economistas do mercado vendo um espaço menor para cortes em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio e seus impactos inflacionários. 

A projeção mediana para a inflação em 2026 no Focus passou de 4,89% para 4,91% e em 2027 seguiu em 4,00% -- em ambos os casos acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%.

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(Edição de Pedro Fonseca)

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