Com o dólar tendo fechado a semana abaixo dos R$ 4,90, uma queda de mais de 10% no ano em relação aos R$ 5,50 registrados no fechamento de 2025, investidores brasileiros se deparam com uma dúvida muito comum: aproveitar o câmbio mais baixo para aumentar a exposição internacional ou reforçar posições em ativos locais, impulsionados pela valorização do real?
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De acordo com especialistas, a queda da moeda americana abre janela de oportunidade relevante para dolarização. “A queda atual cria um bom momento para comprar dólares a um preço mais baixo e, inclusive, investir em ações americanas com desconto. O mercado dos Estados Unidos também vem renovando máximas”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Na mesma linha, Caio Tonet, diretor institucional da W1 Inc, afirma que o atual patamar do dólar representa uma oportunidade para dolarizar parte do patrimônio, mas dentro de uma estratégia de longo prazo e não como um movimento pontual.
“A dolarização é importante principalmente para proteger o poder de compra, já que parte da inflação está relacionada ao câmbio. Além disso, permite diversificação geográfica e reduz a dependência do mercado brasileiro, que é pequeno no cenário global”, enfatiza Caio Tonet.
Como orientação geral, Tonet recomenda que investidores mantenham entre 15% e 25% da carteira em ativos atrelados ao dólar, com variações de acordo com o perfil e os objetivos individuais. Segundo ele, essa alocação também ajuda a equilibrar o portfólio em diferentes ciclos econômicos.
Em momentos de valorização do real, ativos domésticos tendem a performar melhor, compensando eventuais perdas cambiais. Já em cenários de estresse ou desvalorização da moeda brasileira, a exposição internacional funciona como proteção.
Marcos Praça, no entanto, ressalta que um dos principais fatores por trás da valorização do real, o diferencial de juros, pode perder força nos próximos meses. Com o início de um ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, a atratividade da moeda brasileira tende a diminuir, especialmente se a inflação voltar a pressionar.
"Um dos principais drivers que tem conduzido o atual raly do real, é o diferencial de juros, porém, este driver tende a perder força com o atual ciclo de cortes de juros. O ciclo está no início, e, caso pegue força, tende a diminuir o interesse na moeda brasileira, principalmente se a inflação voltar ao radar, tirando o título brasileiro de "uma das maiores taxa de juro real do mundo".