Taxas de DIs curtas sobem e longas caem em sessão de cautela com guerra Irã-EUA

22 mai 2026 - 16h51

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo ‌fecharam a sexta-feira com leves altas, enquanto as de longo prazo cederam, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores em relação às negociações entre EUA e Irã e por comentários de uma autoridade do Federal Reserve.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,84%, em alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,803% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para ⁠janeiro de 2035 estava em 14,055%, com recuo de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,129%.

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No exterior, o secretário de ‌Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta sexta-feira que "houve algum progresso" nas negociações com o Irã, mas acrescentou que "há mais trabalho a ser feito".

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com o ministro ‌do Interior do Paquistão, Syed Mohsin Naqvi, para discutir propostas para ‌acabar com a guerra, informou a mídia iraniana. Teerã e Washington seguem em desacordo sobre o estoque de ⁠urânio iraniano e os controles sobre o Estreito de Ormuz.

Neste cenário, as taxas curtas exibiram altas leves no Brasil pela manhã, enquanto as longas cediam em função da baixa dos rendimentos dos títulos norte-americanos.

Ainda durante a manhã, no entanto, o diretor do Fed Christopher Waller -- uma voz influente na formulação da política monetária que até recentemente defendia taxas de juros mais baixas -- disse que a instituição deveria eliminar o "viés de flexibilização" de seu comunicado e efetivamente abrir ‌a porta para um possível aumento dos juros.

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"A inflação não está indo na direção certa", alertou Waller, em comentários preparados ‌para um fórum econômico na Alemanha. "Eu ⁠apoiaria a remoção da linguagem 'viés ⁠de flexibilização' em nosso comunicado de política monetária para deixar claro que um corte na taxa no futuro não é mais provável ⁠do que um aumento da taxa."

Em reação, o rendimento dos Treasuries ‌de dois anos -- que reflete apostas ‌para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- passou a sustentar ganhos firmes, com os ativos passando a precificar chances maiores de o Fed começar a subir juros até outubro.

No Brasil, o ganho de força dos Treasuries fez as taxas passarem a subir em toda a curva a termo, incluindo na ⁠ponta mais longa. Na reta final da sessão, porém, as taxas curtas voltaram a exibir ganhos menores, enquanto as longas voltaram a ceder.

Durante a tarde, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação de R$1,6 bilhão para R$23,7 bilhões do bloqueio nas verbas orçamentárias dos ministérios, para cumprir o limite de despesas do ano, diante da pressão gerada por um aumento de despesas de ‌execução obrigatória.

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A previsão é que o governo feche o ano com um déficit primário de R$60,3 bilhões, contra previsão de rombo de R$59,8 bilhões apontada em março. Esse saldo iria a um superávit de R$4,1 bilhões após ⁠abatimento de exceções ao cálculo da meta para o resultado primário.

No campo político, os investidores seguiram atentos ao noticiário sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso.Desde a semana passada, Flávio tem lutado para explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.

Pesquisa Datafolha publicada durante a tarde mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem numérica sobre Flávio em um eventual segundo turno da disputa presidencial, contabilizando 47% das intenções de voto, contra 43%. Esta foi a primeira pesquisa Datafolha realizada após o escândalo envolvendo Flávio e Vorcaro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

No exterior, às 16h34 o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha alta de 4 pontos-base, a 4,123%. O retorno do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 3 pontos-base, a 4,558%.

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