Restrição da União Europeia a produtos de origem animal reduz ganho de acordo do Mercosul, diz Fiemg

Levantamento do Centro Internacional de Negócios da entidade mostra que os produtos potencialmente afetados somaram US$ 33,44 bi em exportações brasileiras em 2025

12 mai 2026 - 18h11

A possível exclusão do Brasil da lista de países habilitados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia (UE) pode reduzir significativamente os ganhos esperados com o acordo entre Mercosul e bloco europeu, avaliou a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter, em nota.

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"Mesmo representando uma parcela ainda limitada dos embarques totais, o mercado europeu tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos, especialmente nas cadeias de carnes e mel, produtos de forte relevância para Minas Gerais e para o Brasil", afirmou a executiva, na nota divulgada pela entidade nesta terça-feira.

A manifestação ocorre após a Comissão Europeia divulgar uma lista preliminar que, em sua versão atual, não inclui o Brasil entre os países autorizados a exportar determinados animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano, no âmbito das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

A Fiemg destacou, porém, que o documento ainda é preliminar e que a expectativa é de continuidade do diálogo técnico antes da publicação da versão definitiva.

Segundo Winter, boa parte das exportações mineiras ao bloco europeu é composta por produtos minerais e insumos industriais que já possuem isenção tarifária, o que amplia a relevância das cadeias agropecuárias nas perspectivas de ganhos adicionais com o acordo. "Esses segmentos estão entre os mais beneficiados pelo acordo, considerando que boa parte das exportações mineiras ao bloco é composta por produtos minerais e insumos industriais que já possuem isenção tarifária", disse.

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A Fiemg afirmou que a eventual manutenção do Brasil fora da lista preocupa por atingir cadeias relevantes para a pauta exportadora brasileira e mineira, como carnes bovinas e de aves, peixes, produtos lácteos, ovos, mel e preparações de carnes.

Levantamento do Centro Internacional de Negócios da entidade mostra que os produtos potencialmente afetados somaram US$ 33,44 bilhões em exportações brasileiras em 2025, sendo US$ 1,81 bilhão destinados à União Europeia, o equivalente a 5,4% dos embarques desses setores.

Em Minas Gerais, as exportações do grupo alcançaram US$ 1,9 bilhão, com US$ 82,28 milhões enviados ao mercado europeu, participação de 4,3%.

A Fiemg também defendeu que medidas sanitárias e regulatórias sejam conduzidas com base em critérios técnicos, científicos e transparentes, evitando que exigências legítimas de controle sanitário se transformem em barreiras comerciais.

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