Dólar fecha estável ante real enquanto segue impasse no Oriente Médio

12 mai 2026 - 17h09
(atualizado às 17h25)

O dólar voltou a oscilar ‌em margens estreitas ante o real nesta terça-feira, até fechar perto da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas, em meio ao impasse entre Irã e EUA.  

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,08%, aos R$4,8949. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,82% ante o real. 

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Às ⁠17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,12% na B3, ‌aos R$4,9180. 

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que o cessar-fogo entre os países "respira por aparelhos", uma autoridade do Irã disse nesta terça-feira que o país expandiu ‌sua definição do Estreito de Ormuz para uma "vasta área operacional", ‌muito mais ampla do que antes da guerra.

O tráfego de navios pelo estreito, por ⁠onde circulam 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo, seguiu prejudicado.

À tarde, Trump afirmou que terá uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irã durante sua viagem à China, mas acrescentou que não acha que precisa da ajuda de Xi. Mais tarde, Trump disse que tem "muitas coisas" para discutir com Xi, mas "não diria que o Irã ‌é uma delas".

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Sem um desfecho visível para a guerra, o dólar sustentou ganhos ante boa parte ‌das demais divisas, incluindo pares do ⁠real como o rand ⁠sul-africano, a rupia indiana e o peso mexicano.

No Brasil, porém, a divisa alternou momentos de estabilidade e de ⁠leves altas, mas sempre se mantendo distante dos ‌R$5,00. Após marcar a máxima de ‌R$4,9164 (+0,52%) às 12h24, o dólar à vista atingiu a mínima de R$4,8927 (+0,03%) às 14h30.

"A guerra veio, a guerra foi, e o dólar está abaixo de R$5,00", comentou João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. "As exportações e as entradas financeiras, para aproveitar ⁠a taxa de juros alta no Brasil, estão segurando as cotações", acrescentou.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,67% no mês passado, desacelerando ante a taxa de 0,88% de março e contra projeção de 0,69% dos analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, o ‌IPCA acumulou alta de 4,39%, ante 4,40% projetados.

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Mas a abertura do IPCA ainda demonstrou uma inflação pressionada em algumas métricas de serviços, o que coloca em dúvida o espaço do Banco ⁠Central para continuar o ciclo de cortes da taxa básica Selic ao longo do ano. Atualmente a Selic está em 14,50%.

O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como os EUA, cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.

No meio da manhã, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra no futuro) simultâneos, para rolagem do vencimento de 2 de junho.

Perto do meio-dia, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

No exterior, às 17h08 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,34%, a 98,302.

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(Edição de Pedro Fonseca)

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