Preços do petróleo atingem nova máxima em 6 semanas depois de houthis atacarem sauditas

8 set 2026 - 17h21
Resumo
Os preços do petróleo atingiram máximas de seis semanas após rebeldes houthis atacarem instalações energéticas na Arábia Saudita, ferindo dezenas e acirrando as tensões no Oriente Médio. O Brent fechou a US$ 97,92 e o WTI a US$ 93,03. O bloqueio logístico no Estreito de Ormuz e as novas ofensivas ameaçam o fornecimento global até 2027, elevando projeções de bancos como Goldman Sachs e gerando temores de alta na inflação e nos juros globais devido aos custos recordes dos combustíveis.

Os preços do petróleo atingiram uma nova máxima ‌em seis semanas nesta terça-feira, depois que os houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, atacaram instalações energéticas sauditas, incendiando-as e ameaçando uma grande escalada da guerra no Oriente Médio, que já dura seis meses.

Os contratos futuros do Brent subiram 0,92 dólar, ou 0,9%, fechando a US$97,92 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$1,55, ou 1,7%, fechando ⁠a US$93,03.

Publicidade

Isso manteve ambas as referências de petróleo em território tecnicamente de sobrecompra e representou o ‌maior fechamento do Brent desde 23 de julho pelo segundo dia consecutivo, além de ser o maior fechamento do WTI desde 4 de junho.

Os houthis atacaram quatro cidades no ‌sul da Arábia Saudita, que é aliada dos EUA, na ‌terça-feira, ferindo mais de 70 pessoas e incendiando instalações petrolíferas.

A mídia controlada pelos ⁠houthis informou, ainda na terça-feira, que aviões de guerra sauditas realizaram ataques aéreos no distrito de Jubah, no Iêmen, a leste da capital Sanaa, e na província de Taiz, no sudoeste.

As exportações de petróleo da região do Golfo Pérsico têm sido gravemente prejudicadas desde que o Irã atacou infraestruturas energéticas na região e navios que passavam pelo Estreito de Ormuz, após ataques ‌conjuntos dos EUA e de Israel no final de fevereiro.

Publicidade

A Arábia Saudita, segundo maior produtora mundial ‌de petróleo atrás apenas dos ⁠EUA, vem contornando o ⁠estreito transportando petróleo para o oeste, em direção ao Mar Vermelho. Mas os ataques de terça-feira parecem ⁠estar entre os maiores já realizados contra aquele ‌país e ameaçam agravar o impacto ‌econômico global da guerra, ao interromper o abastecimento de energia do Oriente Médio para além do Estreito de Ormuz, que está bloqueado.

Wall Street também está se preparando para a possibilidade de que as interrupções no transporte marítimo do Oriente Médio continuem até ⁠2027. O Goldman Sachs, o HSBC e outros bancos elevaram suas previsões de preço do petróleo para o restante de 2026 e 2027.

O número de navios de carga que atravessaram o Estreito de Ormuz totalizou sete na segunda-feira, em comparação com oito no dia anterior, segundo dados da Kpler divulgados na terça-feira.

Antes de ‌os EUA e Israel atacarem o Irã em fevereiro, cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz.

PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS ALTOS EM TODO O MUNDO

Publicidade

Os futuros ⁠do petróleo, no entanto, recuaram em relação aos ganhos anteriores devido às crescentes preocupações de que os altos custos dos combustíveis alimentem a inflação e forcem os bancos centrais ao redor do mundo a elevar as taxas de juros, o que poderia reduzir o crescimento econômico e a demanda por energia.

Os preços globais dos combustíveis estavam altos devido principalmente a interrupções nas refinarias do Oriente Médio, da Rússia e de outros lugares. Nos EUA, os preços do diesel atingiram níveis recordes na semana passada, e os norte-americanos enfrentaram preços recordes da gasolina durante o fim de semana prolongado do Dia do Trabalho.

Executivos seniores do setor previram que a oferta global de diesel permanecerá restrita durante o inverno devido à falta de capacidade de refino disponível, à proibição de exportações imposta pela Rússia após os ataques da Ucrânia e à aproximação do pico de demanda no inverno.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações