Ibovespa fecha em alta com estrangeiros e cena eleitoral

8 set 2026 - 17h05
(atualizado em 9/9/2026 às 10h07)
Resumo
O Ibovespa subiu 1,2%, aos 187.366 pontos, impulsionado pelo fluxo consistente de capital estrangeiro e pela valorização de commodities como o petróleo, que alavancou as ações da Petrobras. O mercado também reagiu favoravelmente a pesquisas eleitorais indicando disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, alimentando expectativas de austeridade fiscal via alternância de poder. O dia teve ainda a entrada em vigor da nova carteira do índice e tensões políticas em Brasília no radar.

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ultrapassando os 189 mil ‌pontos no melhor momento, em movimento embalado pelo retorno de investidores estrangeiros para a bolsa paulista e novas pesquisas reforçando o cenário de disputa equilibrada na eleição presidencial em outubro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,2%, a 187.366,84 pontos, tendo marcado 189.487,70 na máxima e 185.207,66 na mínima, em dia também apoiado pelo avanço de preços de commodities como o petróleo no exterior. O volume financeiro no pregão somou R$29,76 bilhões.

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"O suporte para essa escalada continua vindo da força das commodities e do fluxo consistente de capital estrangeiro, que ⁠tem enxergado nas ações brasileiras um ponto de atratividade em meio ao atual cenário global", afirmou a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad.

Dados ‌da B3 continuam mostrando entrada líquida de capital externo na bolsa em setembro, com o saldo nos primeiros três pregões do mês positivo em R$3,9 bilhões, o que tem adicionado um sentimento mais favorável às ações brasileiras. Agosto registrou saída líquida, mas os últimos pregões do ‌mês registraram uma trégua nas vendas.

Em paralelo, pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que o ‌senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ter um ponto percentual de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um ⁠eventual segundo turno, embora o cenário ainda seja de empate técnico entre ambos. Na véspera, pesquisa Quaest também mostrou Lula e Flávio empatados com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno.

"Provavelmente, nós teremos uma disputa eleitoral muito acirrada", afirmou Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, destacando que as últimas pesquisas corroboraram a possibilidade de segundo turno na eleição e reacenderam o desejo de mudança. 

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Uma parcela do mercado financeiro entende que uma eventual mudança de governo poderia resultar em uma política fiscal mais austera a partir do próximo ano, o que explica ‌os movimentos mais positivos com notícias que favoreçam a possibilidade de alternância do poder no Palácio do Planalto.

"Os investidores locais e internacionais continuam monitorando ‌de perto os desdobramentos da corrida eleitoral no ⁠Brasil, mas, no curto prazo, as ⁠sinalizações têm sido absorvidas de maneira construtiva", acrescentou Nossig.

Também no radar nesta sessão esteve a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o ⁠diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro ‌Almada, sob a alegação de que o ‌próprio Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos do que chamou de monitoramento ilícito por meio de relatórios de inteligência produzidos pela PF.

No exterior, o índice acionário norte-americano S&P 500 recuou 0,58%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,7882% no final da tarde, de 4,784% na sexta-feira. O barril do petróleo sob o contrato Brent ⁠renovou uma máxima em várias semanas, após os houthis, apoiados pelo Irã, atacarem instalações de petrolíferas sauditas e Teerã ameaçar os Estados Unidos com uma "guerra econômica".

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Nesta terça-feira, também entrou em vigor a nova composição do Ibovespa, incluindo as ações da construtora Tenda e sem os papéis da PetroReconcavo e da produtora de commodities agrícolas SLC Agrícola.

DESTAQUES

• PETROBRAS PN avançou 2,08% e PETROBRAS ON fechou com acréscimo de 2,36%, endossadas pela alta do petróleo no mercado internacional, onde o barril sob o contrato ‌Brent encerrou com elevação de 0,95%, a US$97,92. No setor, BRAVA ENERGIA ON subiu 2,07% e PRIO ON valorizou-se 3,01%.

• VALE ON subiu 0,51%, alinhada ao movimento do setor no exterior, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais ⁠negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 1,36%.

• ITAÚ UNIBANCO PN valorizou-se 1,22%, em  meio ao viés mais comprador na B3, com BRADESCO PN avançando 1,79% e BANCO DO BRASIL ON subindo 0,36%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,13%. BTG PACTUAL UNIT subiu 2,18%. Em amplo relatório sobre o setor, analistas do Bank of América elevaram o preço-alvo de Itaú de R$50 para R$51 e o de BTG Pactual de R$68 para R$70, enquanto reduziram o de Bradesco de R$26 para R$23 e cortaram o de BB de R$21 para R$20. Em paralelo, reiteraram recomendação de compra para Itaú, BTG e Bradesco, assim como classificação "underperform" para BB.

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• AZZAS 2154 ON recuou 3,62%, após cinco sessões seguidas de alta, período em que acumulou uma valorização de 20,7%, impulsionada pelo anúncio de reorganização societária, com separação de suas marcas em três entidades. No final da semana passada, a agência de classificação de risco S&P cortou a nota de crédito da companhia e colocou o rating em observação (creditwatch) com implicações negativas, citando que a cisão impactará o perfil de risco de negócios da empresa devido a menor escala e possível enfraquecimento das métricas de crédito, a depender da alocação dos passivos existentes. A S&P também citou resultados mais fracos no segundo trimestre de 2026 em sua decisão.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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