As taxas dos DIs caíram pela quinta sessão seguida, impulsionadas pelo avanço de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais contra Lula e pela crise interna no STF. O mercado reagiu com euforia ao crescimento da oposição, vista como mais favorável ao controle fiscal, o que fez o Brasil descolar do pessimismo externo e derrubou o dólar. Com o alívio nos prêmios de risco, investidores reforçaram as apostas de que o Banco Central iniciará cortes na taxa Selic a partir deste mês.
As taxas dos DIs caíram pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira, dando continuidade ao movimento mais recente de eliminação de prêmios na curva em função do fortalecimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
A crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve novo capítulo nesta terça-feira, foi outro fator que contribuiu para a queda dos prêmios.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,515%, com baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,02%, com recuo de 21 pontos-base ante 14,232%.
Na última semana a curva brasileira já havia apresentado quedas relevantes nos prêmios diante da disputa mais acirrada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, a pesquisa Quaest mostrou que Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%.
As duas pesquisas motivaram a euforia vista nos mercados desde cedo, que impulsionou o Ibovespa e o real, enquanto as taxas futuras despencaram, a despeito de o cenário no exterior estar negativo para os ativos de risco.
"O entendimento de que a oposição tem chance de vencer tem crescido. Lá fora há certo pessimismo, mas o Brasil está descolado", comentou à tarde o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno -- têm favorecido a queda do dólar e a redução de prêmios na curva a termo.
A crise no STF foi outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada.
Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça.
O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"A crise institucional impacta a eleição. Ela foi um dos temas das manifestações de ontem e prejudica o incumbente -- principalmente porque Lula carrega a bandeira da estabilidade institucional", avaliou Spiess.
Neste cenário, os investidores também vêm consolidando nos últimos dias as apostas de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%. Os ativos já precificam quase 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base este mês, além de chance majoritária de novo corte de 25 em novembro.
No boletim Focus divulgado pela manhã, economistas projetaram uma Selic de 13,75% no fim deste ano e de 12% no encerramento de 2027.
No fim da manhã, em leilão regular, o Tesouro vendeu 750 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) e 2,15 milhões de Notas do Tesouro Nacional -- Série B (NTN-B).
Com menor influência sobre os negócios no Brasil, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1 ponto-base, a 4,796%.