Wilson Valencio Filho e Bruna Valencio não convivem só nas festas de família. Pai e filha são sócios e atuam lado a lado na empresa Sicro, que criou uma máquina brasileira para transformar água do mar em água doce para uso em embarcações. A companhia é do Guarujá, no litoral paulista, mas atende em várias regiões do país.
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A ideia de criar a empresa surgiu em 2001, quando Wilson já trabalhava fazendo reparos eletroeletrônicos de embarcações. Várias vezes se deparava com dessalinizadores importados — equipamento que extrai da água do mar sal e outras substâncias e a transforma em água doce —, como da Itália e dos Estados Unidos.
Ele passou a perceber que era uma boa área, já que muitos desses aparelhos apresentavam problemas de fabricação e até com exportação de peças. Em paralelo com o serviço que já prestava no litoral, o empresário começou a desenvolver uma máquina própria e ir em busca de fornecedores próprios para a confecção do item. O investimento inicial foi de cerca de R$ 20 mil.
No começo, segundo Wilson, precisava trazer algumas peças de fora do Brasil para a confecção, mas com o tempo, o mercado foi se ajustando. Além disso, ele também ajudou no desenvolvimento de uma bomba de alta pressão brasileira, que conseguisse aguentar com a composição da água salgada.
“O desenvolvimento maior ainda foi fazer a cabeça deles [fornecedores], de que seria um bom negócio”, relembra.
O dessalinizador criado pelo empresário usa a técnica de osmose reversa, que pressuriza a água salgada numa membrana semipermeável, em grande pressão, para que do outro lado dela mine água doce, que pode ser utilizada na higiene de embarcações, banhos e lavar louças.
“Ela fica doce, quase sem propriedades para o ser humano, então não é apropriada para o consumo humano. Ela tava a sua sede, não vai fazer mal, mas não traz nenhum benefício”, pontua.
Com o tempo, a empresa foi ganhando o mercado. O boca a boca fez com que a empresa alavancasse com o equipamento que era conhecido como ‘dessalinizador do Wilson’ e, atualmente, além da sede da fábrica em Guarujá, há representantes em todo o litoral paulista, incluindo cidades de outros estados, como Itajaí, em Santa Catarina, e Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro.
Bruna se juntou ao pai na pandemia, em 2020. Formada em design de interiores, ela saiu de Santos e voltou à cidade natal, onde viu a oportunidade de trabalhar com Wilson na venda dessa “invenção” dele. A filha mais nova também integra a empresa na área financeira e jurídica.
“Sempre admirei esse sistema, essa invenção do meu pai. A gente brinca que ele é um Professor Pardal [personagem da Disney], porque ele é uma pessoa inteligente”, pondera.
Ela explica que o dispositivo faz a partir de 130 litros de água por hora, mas eles têm modelos que produzem também 240 e 360 litros de água. O equipamento instalado nas embarcações é automático e com monitoramento eletrônico, o que transforma a viagem em alto mar mais confortável.
O diferencial do produto desenvolvido por eles, conforme a filha, é que se trata de uma máquina brasileira, com reposição de peças a pronta entrega e em território nacional. Além disso, tem o pós-venda. “O cliente, por ser uma empresa nacional e familiar, tem contato direto com a gente. Por exemplo, se danifica alguma coisa durante um passeio ou celebração, eles nos ligam e conseguimos resolver”, explica.
Os dois formam uma grande equipe, conforme contam, e tiram grandes aprendizados do trabalho em família. “Ao mesmo tempo que é desafiador, é bonito é admirável. Quando sabem que eu sou filha dele, sempre escuto elogios, as pessoas admiram ele por algum motivo. Se eu não trabalhasse junto, não saberia e não conseguiria ver ele com esses olhos”, admite Bruna.