Um manifesto com 157 assinaturas de empresários, economistas e artistas cobra a apuração urgente de fatos recentes envolvendo membros do STF e dos Três Poderes. Motivado pela troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o documento "Pela lei e pelo Brasil" pede investigações céleres, o afastamento cautelar de envolvidos e a criação de um código de conduta vinculante para os tribunais superiores, visando resguardar a integridade institucional do país.
Empresários assinam manifesto, que vinha sendo articulado desde a semana passada, pela "integridade das instituições dos Três Poderes", em resposta a fatos recentes envolvendo membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. O Estadão revelou, na semana passada, uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Chamado de "Pela lei e pelo Brasil", o documento conta com 157 assinaturas, incluindo nomes que vão além da esfera corporativa. Além de empresários e executivos, posicionaram-se economistas, como Ana Paula Vescovi, André Lara Resende, Armínio Fraga, Elena Landau, Gustavo Franco, Mailson da Nóbrega, Marcelo Kayath e Persio Arida, artistas, como o apresentador Luciano Huck e Nelson Motta, e cientistas, incluindo Mayana Zatz, Fernando Reinach e Sílvio Meira.
Entre outros nomes conhecidos, estão Antônio Carlos Pipponzi, Eugênio Mattar, Fábio Barbosa, Fersen Lambranho, Frederico Trajano, Luiza Helena Trajano, Guilherme Leal, Guilherme Passos, Gustavo Ioschpe, Horácio Lafer Piva, Jackson Schneider, José Galló, Marcelo Silva, Maria Silvia Bastos Marques, Nildemar Secches, Patrice Etlin, Paulo Kakinoff, Pedro Bueno, Pedro Parente, Pedro Wongtschowski, Raul Cutait, Ricardo Steinbruch, Walter Schalka e Wilson Ferreira Junior.
Uma das assinaturas está em nome do grupo Mulheres do Brasil, formado por empresárias e executivas.
O texto lembra o movimento que, em dezembro passado, pediu o Código de Conduta para o STF - e não foi atendido. E diz: "As notícias que vieram a público nos últimos dias não constituem um episódio isolado. São a consequência de um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais."
Além disso, cita que "as menções alcançam ministros do Supremo, as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, do Congresso Nacional, o núcleo próximo do ex-Presidente da República e do atual - os dois polos que disputam o poder. Cabe às instituições, com urgência, apurar os fatos e responsabilidades, com todas as garantias do devido processo."
O manifesto ressalta que os signatários não são contra pessoas, mas a favor das instituições. Pede, então, a apuração completa, célere e independente dos fatos e responsabilidades, o afastamento cautelar de quem for formalmente investigado e, novamente, a adoção de código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação e acusação.
Em entrevista ao Estadão, Schalka, membro do conselho de administração da Suzano, defendeu que o presidente do STF, Edson Fachin, "tem a obrigação, não o direito, de tomar medidas de forma célere". "Ele é uma pessoa digna, correta, e em quem nós confiamos", diz.
Para ele, o momento exige que não apenas os empresários, mas a sociedade como um todo se posicione e vá para a rua protestar. "Já passou muito do tempo de termos ações. Se não der certo, temos de ir para a rua de novo", afirmou. "Não podemos ter essa situação de que no Brasil pode tudo. Se houve alguma questão com o Master, tem de fazer o afastamento. Não estou pré-julgando ninguém. Mas a sociedade precisa, por meio dos mecanismos jurídicos adequados, mostrar que a indignação chegou a um ponto além dos limites."