O Ibovespa avançava cerca de 2% nesta terça-feira, superando os 187 mil pontos pela primeira vez no melhor momento, em movimento puxado pelas blue chips Vale, Itaú e Petrobras, com as ações brasileiras ainda ancoradas pelo fluxo de capital externo para a bolsa paulista.
Por volta de 12h30, o Ibovespa avançava 1,99%, a 186.436,33 pontos, após marcar 187.333,83 na máxima até o momento. Na mínima, no começo do pregão, marcou 182.815,55 pontos. O volume financeiro somava R$11,2 bilhões.
De acordo com dados da B3, janeiro teve entrada líquida de estrangeiros no mercado secundário de ações de cerca de R$26,3 bilhões, montante acima de todo o saldo positivo de 2025, de aproximadamente R$25,5 bilhões.
"O Ibovespa segue em tendência de alta de curto prazo", afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista nesta terça-feira.
Investidores também repercutem nesta sessão a ata da última decisão de juros do Banco Central, que afirmou que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização monetária, que deve ser iniciado em março, serão determinadas ao longo do tempo, enquanto enfatizou necessidade de juros ainda restritivos.
"Em termos de 'forward guidance', o tom da ata do Copom foi semelhante ao comunicado da semana passada, o que interpretamos como alinhado à nossa visão de um corte de 50 pontos básicos em março (na Selic)", afirmaram economistas do JPMorgan, avaliando que dados até a próxima reunião devem reforçar tal visão.
Nesse contexto, os dados do IBGE mostraram que a produção industrial no país registrou uma retração de 1,2% em dezembro ante novembro, queda mais forte desde julho de 2024 (-1,5%). Na comparação ano a ano, mostrou acréscimo de 0,4%. Em ambos os casos, o resultado foi mais fraco do que previsões no mercado.
Tendo no radar o noticiário macro, bem como declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, envolvendo potenciais candidatos para diretorias do BC, as taxas dos contratos de DI tinham uma sessão de queda, o que reforçava o viés positivo na bolsa brasileira.
No exterior, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, tinha queda de 0,54%, com agentes financeiros na expectativa de uma série de resultados corporativos na semana, incluindo os números de Alphabet e Amazon.
DESTAQUES
- VALE ON avançava 4,06%, apesar da queda dos futuros do minério de ferro na China, em pregão bastante positivo para o setor de mineração e siderurgia como um todo, com destaque para USIMINAS PN, que subia 3,24%. No caso da Vale, o Itaú BBA também elevou o preço-alvo do ADR de US$14 para US$19 e reiterou recomendação "outperform".
- PETROBRAS PN subia 1,45%, endossada pelo avanço dos preços do petróleo no exterior, após queda expressiva na véspera. PETROBRAS ON valorizava-se 1,31%, com o setor como um todo recuperando-se. PRIO ON tinha alta de 2,46%, PETRORECONCAVO ON ganhava 2,29% e BRAVA ENERGIA ON mostrava elevação de 0,6%.
- ITAÚ UNIBANCO PN valorizava-se 1,83%, com bancos também embalados pelo clima comprador na bolsa tendo no radar o começo da temporada de balanços do setor na semana. BTG PACTUAL UNIT avançava 2,75%, BANCO DO BRASIL ON mostrava alta de 2,21%, BRADESCO PN subia 1,74% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhava 1,71%.
- TOTVS ON era negociada com elevação de 0,33%, após recuar mais cedo, chegando a R$44,35 na mínima, em queda de 1,6%. A multinacional latino-americana de tecnologia financeira Evertec anunciou na noite de segunda-feira a compra da joint-venture Dimensa, formada a partir de ativos da Totvs e B3, por R$950 milhões.
- EMBRAER ON cedia 1,19%, entre as poucas quedas do Ibovespa no dia, ampliando a correção desde que renovou máximas históricas na semana passada, quando chegou a R$105,50 durante o pregão de terça-feira. Naquele mesmo dia, após o fechamento do mercado, a empresa divulgou que sua carteira de pedidos firmes atingiu US$31,6 bilhões no quarto trimestre.