Ibovespa fecha em queda com ruído político local

15 mai 2026 - 17h09
(atualizado às 17h33)

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, ‌pressionado pela maior aversão a risco no exterior diante das preocupações com a inflação global, ao mesmo tempo em que os investidores seguiram de olho nos desdobramentos políticos domésticos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 177.238,83 pontos, chegando a 175.417,25 na mínima, depois de marcar 178.340,52 na máxima. O volume financeiro somou R$31,58 bilhões.

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Na semana, o índice acumulou 3,71% de ⁠queda.

Em meio a pressões diversas, o Ibovespa, que chegou a registrar queda de mais de 1% pela ‌manhã, reduziu as perdas ao longo da sessão, ajudado por ações como Petrobras, mas ainda assim fechou no vermelho.

No exterior, a incerteza sobre um acordo de paz no Oriente Médio impulsionou os ‌preços do petróleo, aumentando as preocupações sobre as pressões inflacionárias. ‌Os contratos do petróleo tipo Brent fecharam em alta de 3,35%, a US$109,26. Dados fortes ⁠de inflação nos EUA divulgados ao longo desta semana trouxeram ainda mais pressão para os negócios, fazendo os operadores elevarem as apostas de que o Federal Reserve aumentará os juros este ano. Nesse contexto, o S&P 500 fechou em queda de 1,23%, a 7.408,5 pontos.

Localmente, os agentes seguiram monitorando o noticiário político e eleitoral. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, esforçaram-se na quinta-feira para minimizar ‌os laços do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de ‌crimes.

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Nesta quinta-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ⁠coordenador da pré-campanha presidencial ⁠de Flávio, disse que a campanha continua e sua agenda de compromissos está mantida normalmente.

Para o gestor da Hike ⁠Capital, Ângelo Belitardo, o Ibovespa segue com uma tese ‌construtiva no médio prazo, mas entrou ‌em uma fase de maior seletividade.

"Com Selic ainda alta, câmbio voltando a pressionar e juros futuros subindo, o investidor tende a privilegiar empresas com balanço sólido, geração de caixa previsível e setores essenciais, como energia elétrica, saneamento, concessões, logística, rodovias, infraestrutura básica e bancos bem ⁠capitalizados", disse Belitardo.

"Já commodities alavancadas, varejo, construção e empresas dependentes de queda rápida dos juros exigem mais cautela", acrescentou o gestor da Hike Capital.

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DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,73%, BRADESCO PN perdeu 0,84%, SANTANDER BRASIL UNIT teve queda de 0,81% e BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,29% em dia negativo para o setor.

• PETROBRAS PN subiu 1,04% e ‌PETROBRAS ON avançou 2,17%, em linha com os ganhos do petróleo no exterior.

• VALE ON subiu 0,76%, revertendo as perdas da manhã e contrariando os contratos futuros de minério de ferro, ⁠que caíram pela quarta sessão consecutiva pressionados pelos altos estoques nos portos da China. O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na bolsa de Dalian caiu 0,67%, a 809,5 iuans (US$ 118,97) a tonelada métrica.

• COSAN ON recuou 5,16%, sendo um dos destaques negativos do pregão, após reportar na véspera prejuízo líquido de R$1,6 bilhão no primeiro trimestre. O presidente da empresa disse nesta sexta-feira que pode vender participação na Raízen após se tornar minoritária.

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• GPA ON perdeu 1,74%, depois de divulgar balanço na véspera, no qual a empresa que controla a rede de supermercados Pão de Açúcar teve prejuízo líquido de R$1,4 bilhão no primeiro trimestre, após resultado negativo de R$169 milhões no mesmo período do ano passado.

• CPFL ON caiu 1,53%. Na quinta-feira, a empresa reportou que fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$1,8 bilhão, avanço de 18% na comparação anual, ajudado principalmente por efeitos financeiros e tributários positivos.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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