A perícia nomeada para a realização da Constatação Prévia no pedido de recuperação judicial das empresas do Grupo Fictor opinou, em laudo ao que o Estadão/Broadcast teve acesso, pela apresentação detalhada de documentações, como da relação de credores. Apontou, ainda, não ter encontrado indício de operação de algumas subsidiárias visitadas.
Na última semana, duas empresas do grupo, a Fictor Invest e Fictor Holding, entraram com o pedido de recuperação com dívidas de cerca de R$ 4 bilhões. A perícia prévia, feita pela Laspro Consultores, opinou pela intimação das duas companhias a promoverem uma emenda da petição inicial, com a apresentação de documentação complementar para "conferir maior transparência à estrutura econômico-financeira do grupo".
Entre os diversos documentos em que se sugere o detalhamento, está uma relação de credores segregada por empresa e acompanhada dos respectivos valores e natureza dos créditos. Uma lista de credores foi apresentada, porém, levantou polêmicas após alguns nomes listados negarem fazerem parte, como foram os casos da American Express e da Sefer Investimentos.
A perícia pede também, por exemplo, o detalhamento da natureza e o destino das saídas de caixa da conta centralizadora, além de balancetes analíticos dos exercícios de 2023, 2024 e 2025, bem como o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício referente ao ano de 2026.
A perícia visitou subsidiárias nos locais indicados pela Fictor. O documento ao que o Estadão/Broadcast teve acesso diz que não foram encontrados indícios de atividade em funcionamento na Fictor Agro Comércio de Grãos, localizada em Goiás, entendendo que a atividade empresarial teria deixado de ser exercida há aproximadamente um ano. O mesmo ocorreu com a empresa Dynamis Clima, também em Goiás.
No Amazonas, o documento relata que também não foi encontrado qualquer indício de funcionamento da FW SPE SOLAR 2. No Rio de Janeiro, por sua vez, a perícia prévia diz não ter encontrado indícios de operação da subsidiária Komorebi Sociedade em Conta de Participação.
Como antecipado pelo Estadão/Broadcast, credores do Grupo Fictor pediram nesta segunda à Justiça de São Paulo que outras empresas do conglomerado sejam incluídas na recuperação judicial. No documento, a defesa de cerca de 50 credores alega que uma das duas empresas que pediram a recuperação, a Fictor Invest, tinha um caixa de R$ 2.670 em 31 de dezembro.