Fim da 6x1: Motta diz que discussão sobre jornada é 'inadiável' e aposta em votação ainda este ano

Segundo presidente da Câmara, Parlamento quer puxar para si o 'protagonismo' na pauta

9 fev 2026 - 21h11

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho se tornou "inadiável" e que o Parlamento quer puxar para si o "protagonismo" na pauta.

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As declarações ocorreram nesta segunda-feira, 9, a jornalistas, após ter decidido juntar duas PECs que tratam sobre o assunto e recolocar o assunto na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

"Nós temos a consciência de que, com o avanço tecnológico, com tudo o que temos hoje como ferramenta de trabalho, a discussão sobre a redução de jornada se tornou inadiável", afirmou o presidente da Câmara.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
Foto: Lula Marques/Agência Brasil / Estadão

Na sequência, Motta respondeu um questionamento sobre a decisão de dar andamento à proposta em forma de PEC, em vez de aderir à estratégia que o governo estudava de acelerar a pauta por meio de projeto de lei sob urgência constitucional.

Na prática, Motta apensou a PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) a outra protocolada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A proposta do petista está mais avançada, porém, encontrava-se estagnada na CCJ.

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"As PECs são correlatas do ponto de vista temático e nada mais natural do que haver esse apensamento que nós fizemos para que a matéria possa tramitar na Casa. A decisão foi tomada com base naquilo que deve ser o norte de qualquer presidente de um Parlamento, que é seguir o regimento", declarou.

Motta continuou: "Em nenhum momento, passou pela nossa decisão o desejo de adiar esse debate. Pelo contrário, o Parlamento quer puxar para si o protagonismo nesse tema. É importante o apoio do governo, nós sabemos que o governo tem uma posição favorável".

Votação

O presidente da Câmara afirmou que crê na possibilidade de realizar a votação ainda neste ano. "A minha aposta é que sim", disse. "No Brasil, tudo fica sempre para depois do Carnaval. Este ano, nós demonstramos esse comprometimento, justamente para dizer à população que a Câmara quer trabalhar neste semestre para aprovar o maior número de propostas possíveis, de interesse da população brasileira."

O parlamentar também fez uma defesa da discussão sobre o assunto. "Pessimistas, lá atrás, na época da escravidão, ficaram contra o fim da escravidão. Depois, ficaram contra a criação da carteira de trabalho. E o que nós vimos foi que, quando se teve coragem de enfrentar essas pautas, o Brasil ganhou. Ganhou em prosperidade", afirmou.

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Motta disse ainda que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, solicitou uma reunião sobre o assunto ainda nesta semana com o presidente da Câmara, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

O presidente da Câmara disse que quer aguardar a eleição do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para, em seguida, decidir sobre quem será o relator da proposta.

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