Após abrir em leve baixa, o dólar se reaproximou da estabilidade ante o real nesta quarta-feira, enquanto no exterior a moeda norte-americana cede ante algumas divisas de países emergentes, com investidores atentos às negociações entre EUA e Irã enquanto esperam a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve.
Às 9h51, o dólar à vista cedia 0,03%, aos R$5,0400 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- recuava 0,15%, aos R$5,0535.
Na terça-feira, a moeda norte-americana à vista fechou o dia com alta de 0,86%, aos R$5,0416, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter admitido que se reuniu pessoalmente com o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, no fim de 2025. Na época, o banqueiro já havia passado por sua primeira prisão preventiva e estava utilizando uma tornozeleira eletrônica.
A admissão foi vista pelo mercado como mais um fator que enfraquece a candidatura de Flávio à Presidência, favorecendo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta manhã de quarta-feira, ainda sem novidades no campo político, os agentes se voltam novamente para o exterior, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que a guerra com o Irã terminará "muito rapidamente". O vice-presidente norte-americano, JD Vance, disse que houve progresso nas negociações.
A expectativa de um acordo abriu espaço para a queda do petróleo Brent nesta quarta-feira, ainda que o preço do barril se mantenha em níveis elevados, perto dos US$108.
Nos mercados de moedas, o dólar tinha variações contidas ante as demais divisas fortes, mas cedia ante moedas de emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Os investidores aguardam a divulgação, às 15h, da ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve, em busca de pistas sobre o futuro da taxa de juros nos Estados Unidos.
O mercado tem elevado as apostas de que, em função da continuidade da guerra, que mantém bloqueado o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o Fed poderá ser obrigado a subir juros no fim do ano para conter a inflação. Atualmente a taxa de juros norte-americana está na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto no Brasil a taxa Selic segue em 14,50%.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real em meses anteriores.
A guerra no Oriente Médio, no entanto, mexeu com os fluxos globais de recursos, inclusive para o Brasil. Mais recentemente, o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro tem pressionado as cotações.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
(Edição de Isabel Versiani)