Governo não quer taxar, mas colocar entregadores e motoristas de app sob guarda-chuva, diz ministro

Wolney Queiroz afirmou ainda que objetivo do governo é zerar fila do INSS até o fim do ano, deixando apenas fluxo de cerca de 1,3 milhão de pedidos que chegam mensalmente

20 mai 2026 - 10h22

BRASÍLIA - O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou nesta quarta-feira, 20, querer que os entregadores e motoristas de aplicativo façam parte da Previdência. Ele concedeu entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro" da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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"Nós não estamos querendo taxar vocês. Nós não estamos querendo onerar o serviço. Nós estamos querendo proteger vocês, para que vocês fiquem embaixo desse guarda-chuva do Estado", afirmou.

Segundo ele, a ideia é mudar a conversa sobre a seguridade social de fraudes e filas para um órgão que protege a população nos momentos de dificuldade. Isso faria com que mais pessoas aderissem ao sistema e este ficasse mais saudável financeiramente, mesmo com o envelhecimento da população.

"Por isso que eu estou fazendo essa propaganda, por isso que a gente tem que falar bem do INSS, para que a gente possa atrair esse contingente para contribuir com a Previdência Social", completou.

O ministro afirmou que o objetivo do governo é zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até o fim do ano, deixando apenas o fluxo de cerca de 1,3 milhão de pedidos que chegam mensalmente.

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"Então o nosso desafio, a nossa tarefa, é deixar essa fila abaixo de 1,3 milhão, ou seja, 1,3 milhão é só o fluxo do mês, não tem mais nada, e abaixo dos 45 dias. E nós estamos indo bem nessas duas categorias. Estamos na média. Estamos avançando bem. Estou querendo zerar essa fila até o final desse ano", afirmou.

Fundos de pensão e Master

Wolney Queiroz afirmou que não há recursos dos fundos de pensão federais no Banco Master e que os dados da pasta ajudaram a Polícia Federal a fazer operações contra a empresa.

"Primeiro, dizer que não há nenhum real dos fundos de pensão aplicado no Banco Master. Os fundos de pensão reúnem R$ 1,4 trilhão no Brasil e são supervisionados pela Previc. A Previc está no guarda-chuva do Ministério da Previdência Social", afirmou.

Segundo ele, a pasta identificou possíveis irregularidades envolvendo o banco e fundos de previdência de cidades em 2024, fez auditorias e enviou os dados para a PF, que os usou para deflagrar operações contra o caso.

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"Nós, da Previdência Social, detectamos o problema do Banco Master e fizemos, em 2024, as auditorias em várias cidades. E todas essas auditorias foram usadas pela Polícia Federal para deflagrar as operações", completou.

Ele afirmou ainda que não pode revelar em quais cidades houve essas auditorias porque nem todas foram alvos da PF ainda e, por isso, a informação é sensível.

Fraudes no INSS

O ministro afirmou que já foram ressarcidas 4,5 milhões de pessoas fraudadas com descontos indevidos no INSS. "Nunca na história do Brasil aconteceu isso, o governo devolvendo o dinheiro, procurando as pessoas", afirmou.

Ele declarou que o governo tomou medidas para aumentar a segurança do INSS, mesmo sendo alvo de críticas por ter supostamente dificultado o acesso.

"Nós só temos duas alternativas. Ou a gente facilita e acaba com a biometria e fica sujeito a fraudes, ou a gente restringe o acesso e aí fica um pouco mais difícil para o aposentado e o pensionista, mas garante que não haja fraudes. E é esse o objetivo que a gente tem de dar maior segurança", completou.

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Reforma da Previdência

Wolney Queiroz afirmou que é contra a reforma da Previdência porque sempre sobra para os trabalhadores pagarem a conta. "Ela vai tirar dinheiro do seu salário para você pagar mais. Ela vai fazer com que o tempo para se aposentar seja maior, ou ela vai aumentar a alíquota, ou os três. Então, normalmente, é para você pagar essa conta", disse.

Ele afirmou ainda que as pessoas falam com facilidade de reforma da Previdência porque estão no "ar condicionado" e que as soluções deveriam vir de melhorar a produtividade do INSS com revisões internas.

"Daqui a pouco a gente vai querer que a pessoa trabalhe até morrer. Eu sou contra a reforma. Eu acho que a gente tem que trabalhar para fazer com que cada vez menos necessite de reforma. A gente atua dentro da Previdência Social", declarou.

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