O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal em uma nova fase da Operação Compliance Zero, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto sob condição de anonimato.
Em nota sem citar nomes dos alvos da terceira fase da operação, a PF disse que estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão determinados pelo Supremo Tribunal Federal em São Paulo e Minas Gerais.
De acordo com a corporação, estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
A Compliance Zero apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Master.
"Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas", disse a PF na nota.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana estão entre os alvos da operação desta quarta-feira.
Os dois servidores entregaram os cargos que ocupavam no comando do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC no final de janeiro em meio a uma investigação interna do Banco Central sobre o Master.
Uma fonte do Banco Central disse à Reuters que, quando a autarquia afastou os dois servidores de seus cargos, também foi feita uma comunicação à PF sobre o que foi encontrado na apuração interna, com informações sobre o que provocou os afastamentos. Trata-se, segundo a fonte, sem uma colaboração com a PF pelo BC, já que a investigação interna na autoridade monetária chegou a um ponto que encontraria limitações, como a impossibilidade de quebras de sigilos e outros procedimentos.
Na nota sobre a operação desta quarta, a PF disse que as investigações contam com a colaboração do Banco Central.
Vorcaro já havia sido preso anteriormente, em novembro, quando da deflagração da primeira fase da Compliance Zero, mas foi solto dias depois e desde então tinha de cumprir medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.
O Banco Central e o advogado de Vorcaro não responderam imediatamente a um pedido de comentários.
O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro do ano passado, no mesmo dia da prisão anterior de Vorcaro, apontando "graves violações" às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional e problemas de liquidez.