Os preços do petróleo podem subir para uma faixa de US$ 80 a US$ 100 por barril em meio aos desdobramentos das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Após os ataques deste sábado, 28, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, foi morto, enquanto o Estreito de Ormuz, por onde escoa mais de 20% do petróleo do mundo, foi fechado, informou a agência de notícias iraniana Tasnim, ligada ao governo do país.
O Brent fechou a semana na sexta, 27, perto da máxima em sete meses, a cerca de US$ 73 por barril. O avanço reflete o maior prêmio de risco político embutido nos preços, diante do reforço militar dos EUA no Oriente Médio. Analistas de Wall Street projetam o petróleo a US$ 80, mas alertam para cotações ainda mais altas caso a tensão entre EUA e Irã aumente e o conflito se prolongue.
O Barclays avalia ser "muito possível" que o preço do petróleo suba a US$ 100 o barril - ou mais - caso ocorram grandes interrupções por conta do fechamento do Estreito de Ormuz ou impactos a campos petrolíferos sauditas. "Seria difícil substituir grande parte desse fornecimento por semanas e talvez meses, mesmo considerando os oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos", diz o analista do banco britânico, Ajay Rajadhyaksha, em nota a clientes, neste sábado.
Nigel Green, fundador e CEO do deVere Group, diz que uma interrupção sustentada de até 1 milhão de barris por dia representaria cerca de 1% do fornecimento global. "Seria suficiente para alterar os balanços em um mercado já precificado para crescimento moderado na demanda", avalia.
Analistas afirmam que a reação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ao conflito será determinante para o patamar dos preços da commodity. O grupo, que se reúne neste domingo, dia 1º, pode decidir por um aumento de produção maior do que o planejado, de 411.000 barris por dia, segundo a 'Reuters'.
"Os riscos para o fornecimento global de petróleo tornam ainda mais provável que a Opep+ opte por aumentar as cotas de produção na reunião deste fim de semana - e talvez em mais do que os 137.000 barris por dia que estão sendo especulados", diz o economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics, William Jackson.
Trump: bombardeios pesados continuarão 'sem interrupção'
Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou, em entrevista à 'Axios', que pode prolongar e assumir completamente a ofensiva contra o Irã ou encerrar o conflito em dois ou três dias. "Os bombardeios pesados e de precisão, no entanto, continuarão, sem interrupção, ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para atingir o nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, NA VERDADE, NO MUNDO!", escreveu ele, em sua rede social, na noite deste sábado.
O Barclays espera que o conflito entre os EUA e o Irã sirva de impulso ao dólar ao menos no curto prazo. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, acumula queda de mais de 8% em um ano. O iene japonês também pode ser beneficiado, enquanto moedas de mercados emergentes podem sofrer com o aumento da volatilidade, segundo analistas.
Quanto às ações, o Barclays diz que somente uma queda do S&P 500 acima dos 10% é um momento oportuno para os investidores irem às compras. Nas últimas semanas, fundos globais têm aportado recursos para além de Wall Street em meio às incertezas das políticas de Washington e preocupações com a IA. Até o fechamento de sexta-feira, dia 27, a participação dos EUA no valor de mercado de ações global caiu para seu nível mais baixo desde janeiro de 2024, diz o estrategista sênior de Investimentos da Charles Schwab, Kevin Gordon.