Irã fecha Ormuz e EUA pedem que navios evitem o Golfo, deixando mercado do petróleo em alerta
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, tornou-se "perigoso" e foi "de fato fechado" na noite de sábado (28), segundo a Guarda Revolucionária Iraniana, conforme relatado por um veículo de imprensa local. Paralelamente, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos orienta navios comerciais a "ficarem longe" do Golfo devido à "significativa atividade militar".
O Irã, um dos principais produtores de petróleo da OPEP, enfrenta sanções ocidentais que dificultam suas exportações. Ainda assim, Teerã poderia influenciar o preço do barril ao interromper o tráfego marítimo.
Segundo Olivier Appert, consultor de energia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), "o Irã poderia muito bem bloquear o Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% da produção mundial de petróleo e 25% da produção mundial de gás natural liquefeito".
"O país também poderia atacar instalações de petróleo e gás em nações vizinhas, particularmente no Bahrein e na Arábia Saudita, e até mesmo no Catar", afirma o especialista.
Para Teerã, aumentar os preços do petróleo também seria uma forma de pressionar Washington. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato ocorrerão no final do ano, e Donald Trump prometeu a seus eleitores preços baixos de energia.
Possível "aumento de preços" no horizonte
Como consequência, o preço do barril de petróleo pode subir, afetando os motoristas — especialmente na Europa.
"O preço atual nos postos reflete o valor dos suprimentos de dois a três meses atrás. Dito isso, é provável que vejamos um aumento nos preços dos combustíveis nas próximas semanas", explica Appert. A situação também pode enfraquecer a economia chinesa, que importa quase dois milhões de barris de petróleo iraniano por dia.
Uma reunião entre oito membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (OPEP+) está agendada para este domingo, enquanto o mercado de petróleo abrirá na manhã de segunda-feira.
Por enquanto, o Departamento de Transportes dos EUA recomenda que embarcações comerciais "mantenham distância" do Golfo devido à "significativa atividade militar" após os ataques de sábado, segundo a AFP.
Em comunicado publicado em seu site, o órgão também solicita que todas as embarcações comerciais operando nos Estados Unidos mantenham uma distância de 30 milhas náuticas de navios militares norte‑americanos, a fim de reduzir o risco de serem percebidas como ameaça.
Navios de EUA ou Israel devem redobrar atenção
Além do Golfo, o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e o Mar Arábico também são mencionados nos alertas. Mais cedo, um representante de uma das principais associações de armadores do mundo (BIMCO) advertiu que "navios com ligações comerciais a interesses americanos ou israelenses têm maior probabilidade de serem alvo".
Por fim, a Força Naval da União Europeia na região confirmou que a Guarda Revolucionária está alertando embarcações sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.
RFI e AFP