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Eleições na Colômbia: filósofo de esquerda e advogado fã de Bukele disputarão o 2º turno

Abelardo de la Espriella, da direita, e Iván Cepeda, da esquerda, disputarão o 2º turno que será realizado em 21 de junho.

31 mai 2026 - 20h02
(atualizado às 21h31)
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O filósofo de esquerda Iván Cepeda e o advogado da direita radical Abelardo de la Espriella
O filósofo de esquerda Iván Cepeda e o advogado da direita radical Abelardo de la Espriella
Foto: Luis ACOSTA e Raul ARBOLEDA / AFP via Getty Images / BBC News Brasil

A presidência da Colômbia será decidida em 21 de junho, em uma disputa entre o candidato de esquerda Iván Cepeda e o de direita Abelardo de la Espriella, de acordo com os resultados das eleições deste domingo (31/5).

Com mais de 90% das urnas apuradas, De la Espriella lidera a corrida com 43% dos votos, contra 41% de Cepeda. Um candidato precisa de mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno.

Cepeda é o líder de esquerda que oferece continuidade aos programas do atual governo de Gustavo Petro, enquanto De la Espriella é um empresário de direita que promete uma abordagem radical para mudar tudo.

Paloma Valencia, política que buscava se tornar a primeira mulher a governar o país, está em terceiro lugar com apenas 6% dos votos.

A eleição, que transcorreu pacificamente, foi marcada pela polarização entre aqueles que apoiam a continuidade das políticas do presidente Petro para reduzir a pobreza, e aqueles que, além de mudanças sociais, exigem respeito à iniciativa privada e a restauração da segurança, que tem sido prejudicada por grupos armados ilegais envolvidos com o narcotráfico e a mineração ilegal.

A esquerda entrou na disputa eleitoral unida, a direita dividida e o centro enfraquecido com a baixa participação eleitoral, como demonstram os resultados.

A Colômbia, portanto, parece caminhar para um duelo entre duas visões antagônicas para o país.

Mas quem são De la Espriella e Cepeda?

Quem é De la Esrpiella

Abelardo de la Espriella promete pulso firme para para combater a violência
Abelardo de la Espriella promete pulso firme para para combater a violência
Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP via Getty Images) / BBC News Brasil

Com seu movimento Defensores da Pátria, o advogado De la Espriella (47 anos) surgiu no cenário político com um discurso de direita radical.

Ele se apresenta como um "outsider", um empresário bem-sucedido independente da elite política e econômica, embora nas últimas semanas algumas figuras desses mesmos setores que ele afirma rejeitar o tenham apoiado publicamente.

Ele é um advogado com grande habilidade para lidar com a mídia, com uma lista de clientes que inclui casos envolvendo grupos paramilitares, corrupção, vítimas de violência de gênero e celebridades.

Entre seus clientes estava Álex Saab, o suposto testa de ferro de Nicolás Maduro na Venezuela, que foi recentemente extraditado para os EUA para responder a acusações criminais.

De la Espriella concentra seu discurso na segurança e no combate à corrupção e é um defensor da livre iniciativa, de Deus e da família como núcleo da sociedade.

Sua estratégia nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram, tem sido prolífica e intensa, atraindo eleitores ávidos por mudanças radicais. Em sua campanha, ele insiste que o país vive um "momento existencial" e acusa Petro de querer se perpetuar no poder, apesar da reeleição não ser permitida na Colômbia e do presidente, até o momento, não ter acionado nenhum mecanismo legal ou institucional que sugira tal possibilidade.

Admirador declarado de líderes conservadores como Nayib Bukele, presidente de El Salvador, Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina), De la Espriella afirma que seu movimento não se baseia em ideologias ou espectros políticos, mas em "extrema coerência".

O empresário propõe uma ofensiva contra grupos armados ilegais, o fortalecimento das Forças Armadas e um crescimento econômico sustentado de 5% ao ano para obter os recursos necessários para financiar programas voltados à redução da pobreza, por meio da melhoria da educação, saúde e moradia para os cidadãos mais pobres, além da geração de empregos.

O candidato do movimento "Firmes por la Patria" (Firmes pela Pátria), que concorreu sem o apoio de partidos políticos tradicionais, afirma que Cepeda é herdeiro de Petro e representa uma ameaça à democracia e à economia devido aos seus planos, que incluem a prorrogação da proibição de novos projetos petrolíferos.

De la Espriella afirma ter financiado sua campanha com recursos próprios, sem receber doações de partidos ou grandes empresas.

Quem é Iván Cepeda

Iván Cepeda busca dar continuidade às políticas do presidente Gustavo Petro
Iván Cepeda busca dar continuidade às políticas do presidente Gustavo Petro
Foto: Andres Rot/Getty Images / BBC News Brasil

Desde que lançou sua candidatura em outubro de 2025, Iván Cepeda, de 63 anos, liderou a maior parte das pesquisas, garantindo a maioria dos votos no primeiro turno.

Ele é filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por paramilitares em conluio com agentes do Estado.

Viveu exilado diversas vezes devido a ameaças de morte contra sua família e estudou filosofia na Bulgária na década de 1980. Lá, absorveu ideias socialistas modernas e reformistas, bem distantes da ortodoxia comunista e autoritária que caracterizou o bloco soviético por muitos anos.

Deputado renomado desde 2010, dedicou sua carreira à preservação da memória das vítimas do conflito, negociando com grupos armados para alcançar a paz e investigando o paramilitarismo.

Este último empreendimento o levou a uma longa batalha judicial, tanto como vítima quanto como testemunha contra Uribe, em um caso de suborno em processo criminal e fraude processual, que continua apesar da absolvição do ex-presidente em apelação.

Ele facilitou as negociações de paz entre o Estado e as FARC em 2016 e participa ativamente da política de "paz total" de Petro, uma estratégia criticada por não ter alcançado os resultados prometidos.

Sua plataforma inclui a continuidade das reformas sociais do atual presidente, o aumento da participação do Estado na economia, o combate à corrupção, a redução da desigualdade, a reforma das instituições e a busca pela paz sem abandonar o diálogo.

O primeiro ponto gera preocupação entre economistas que observam a precária situação fiscal do país.

O último ponto provoca rejeição por parte daqueles que se opõem às negociações com grupos armados.

Cepeda promete dar continuidade às políticas de combate à pobreza e à profunda desigualdade social com subsídios para os mais pobres, ensino universitário gratuito para jovens e melhoria da cobertura de saúde.

Uma mulher colombiana deposita seu voto na urna.
Uma mulher colombiana deposita seu voto na urna.
Foto: Reuters / BBC News Brasil
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