Copasa revê privatização após propostas ficarem abaixo do preço mínimo

Em comunicado ao mercado, Copasa informou que fará mudanças nas condições da oferta, sem detalhá-las; anúncio representa novo revés para o processo

27 mai 2026 - 12h59

O governo de Minas Gerais decidiu rever a privatização da Copasa após as propostas de investidores de referência ficarem abaixo do preço mínimo esperado para a operação, conforme apurou o Estadão/Broadcast. Em comunicado ao mercado, a companhia informou nesta quarta-feira, 27, que publicará novos documentos da oferta e um cronograma revisado para a operação. Na B3, as ações da Copasa caíam cerca de 6%.

Com isso, o processo deve ser atrasado mais uma vez. O cronograma inicial previa o anúncio investidor de referência nesta quarta-feira, 27. A precificação da oferta aconteceria em 2 de junho.

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O governo mineiro avalia a possibilidade de seguir com a operação sem investidor de referência, mantendo a privatização por meio do bookbuilding junto ao mercado, ainda segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela reportagem.

No modelo anterior, o investidor de referência poderia adquirir até 30% da companhia, em participação avaliada em cerca de R$ 6 bilhões. Considerando também a venda das ações remanescentes, a operação poderia movimentar até R$ 10 bilhões, tornando-se uma das maiores do mercado brasileiro em 2026. O preço mínimo esperado para o processo não foi divulgado pelo governo de Minas Gerais.

Participavam do processo a Equatorial, que atuou como investidor de referência na privatização da Sabesp, e a Itaúsa, por meio da Livorno, veículo de investimento que teria participação dividida em fatias de cerca de 33% entre os atuais acionistas da Aegea. Hoje, ela tem como sócios a Equipav (52%), o fundo soberano de Singapura GIC (35%) e a Itaúsa (13%).

O anúncio das mudanças representa um novo revés para o processo, que estava previsto inicialmente para o primeiro trimestre de 2026. A oferta foi sendo adiada diante da deterioração do cenário macroeconômico e da espera pela autorização final do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

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Quase seis meses após a aprovação pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o cronograma original previa a divulgação do acionista de referência nesta quarta-feira.

O que diz a Copasa

Em comunicado ao mercado, a Copasa informou apenas que fará mudanças nas condições da oferta, sem detalhá-las. Segundo a companhia, serão republicados o prospecto preliminar, a lâmina da oferta e o aviso ao mercado, além de um novo cronograma, após aprovação do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais (CCGE).

Questionada pelo Estadão/Broadcast, a empresa afirmou que as alterações decorrem de "instruções expressas e formais" do acionista controlador, o Estado de Minas Gerais.

"A companhia reforça que cumpre o seu papel institucional de dar transparência aos ritos processuais determinados pelo acionista vendedor e que, em razão do período de silêncio regulatório e do caráter estritamente informativo do documento, a Diretoria Executiva não emitirá comentários adicionais sobre as razões estratégicas do Estado ou sobre o mérito das alterações até a republicação dos atos oficiais", acrescentou a Copasa.

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