BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira, 27, que o governo brasileiro vai "tentar recuperar as refinarias" de petróleo privatizadas, mas não vai "comprar pelo preço que eles querem".
A declaração foi dada durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas nesta quarta-feira. Lula já estava no fim de seu discurso quando um dos presentes começou a falar com ele, fora do microfone. Pelo que foi possível ouvir na transmissão feita pela EBC, a pessoa gritou: "Lula, volta com a refinaria".
O presidente, então, dirigiu-se à pessoa que fez o pedido e se explicou. "Pois é, querido. Nós já trouxemos de volta a Fafen (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados) na Bahia, vamos trazer de volta a Fafen em Sergipe. Vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas não podemos comprar pelo preço que eles querem. A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo. Mas, se depender de nós, eu sonho com muita coisa para a Petrobras", afirmou o presidente.
Lula também falou, em tom de brincadeira, que a Petrobras deveria se aliar à Pemex, estatal mexicana de petróleo e gás, para fazer prospecção de petróleo no Golfo do México. Disse que queria ver se o "companheiro Trump" iria "se meter" no assunto. Citou que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, conversou sobre o assunto.
"Magda (Chambriard, presidente da Petrobras), vá lá (para o México). Vamos fazer uma associação com a Pemex e vamos no Golfo do México para ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando", disse, em tom bem-humorado.
'Governo pode indicar diretores, mas não manda na Petrobras, só que discute as prioridades'
O presidente Lula disse ainda que "a Petrobras não tem de pensar só na Petrobras enquanto empresa", mas "tem de pensar no Brasil". O presidente usou um exemplo hipotético para defender que, ainda que a empresa tenha um custo maior em algumas de suas operações, deve priorizar o que for de interesse do País.
A declaração foi dada durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas nesta quarta-feira. Lula falava sobre a construção de barcaças - embarcações projetadas para o transporte de carga na água.
"Se fosse só por conta da Petrobras, iria ter um diretor da Petrobras que diria: 'Para que construir barcaça lá no Amazonas? Vai custar US$ 10 milhões, mais caro que comprar na China?'. Mas a Petrobras não tem de pensar só na Petrobras enquanto empresa. Tem que pensar no Brasil. O Brasil é que é dono dela, não ela que é dona do Brasil. Ela tem de pensar que temos de utilizar o potencial de uma empresa do porte dela", declarou o presidente.
Lula afirmou, ainda, que o governo "não manda na Petrobras", mas "discute as prioridades do Brasil" junto à empresa. Defendeu que é preciso levar em consideração "o que o Brasil precisa".
"O governo pode indicar diretores do conselho, mas não manda na Petrobras, mas discute as prioridades do Brasil. Não é o que a Petrobras precisa, é também o que o Brasil precisa. Se a gente não fizesse as barcaças aqui, a gente não geraria emprego, não geraria conhecimento tecnológico", disse.
Lula criticou a privatização de estatais. No caso da desestatização da Eletrobras, feita no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que foi "o maior roubo da história desse País".
"Alguém pode me explicar o que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR? Tem algum colunista importante, algum cientista político para me explicar? Venderam, a troco do que? A troco de dizer que são bons gestores. Às vezes, eles vão na TV falar que a iniciativa estatal tem corrupção, que a empresa estatal não presta. E aí vão vendendo. E muitas vezes a gente acredita que se privatizar vai ser melhor", afirmou.
"A privatização da Eletrobras foi o maior roubo da história desse País. A maior empresa de energia que a gente tinha foi vendida na bacia das almas", completou.