Pacotes de dinheiro foram encontrados dentro de uma mala apreendida pela Polícia Federal (PF) em Pernambuco durante a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira, 27. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
No total, são cumpridos pelos policiais federais 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação apura novas entidades que ainda não haviam sido alvo das investigações. A PF investiga núcleos regionais do esquema de descontos associativos em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e no Distrito Federal. Os dirigentes dessas instituições também são alvo da apuração.
Segundo a Polícia Federal, esta fase da operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre crimes contra a administração pública, como organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Na ação desta quarta-feira, não há parlamentares entre os alvos. Segundo o Estadão, a PF mira a Associação Amar Brasil Clube de Benefícios e o ex-presidente da entidade, Felipe Macedo Gomes. Também foram alvos Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista, além de representantes de outras associações.
A PF também investiga o técnico do INSS Everaldo Felício de Macedo, suspeito de receber pagamentos do empresário Antônio Camilo Antunes, apontado pelos investigadores como líder do esquema e conhecido como “Careca do INSS”. Outros ex-servidores do instituto também são alvo desta fase da operação. O Terra tenta localizar as defesas dos citados. O espaço segue aberto para manifestações.
Fraudes no INSS
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 e mostrou que, entre 2019 e 2024, integrantes do instituto e associações desviaram bilhões em recursos de aposentados e pensionistas por meio da folha de pagamento.
As vítimas da fraude tiveram descontos não autorizados em seus benefícios. Documentos da PF, da CGU e do Ministério Público Federal (MPF) apontam que o esquema de descontos indevidos envolveu pagamento de propina a servidores, uso de associações de fachada e lobistas.