A economista-chefe do Santander Brasil e ex-secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi disse nesta quarta-feira, 27, que o Brasil está passando por um ciclo adiantado de política monetária. Para ela, há quatro anos o País tem convivido com uma taxa de juro real muito alta.
A economista é uma das palestrantes do FGV Money Lab, evento em São Paulo organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) que conta com o apoio do Estadão, com economistas, executivos do setor financeiro e especialistas para discutir como decisões individuais vêm sendo impactadas por um ambiente econômico.
A afirmação de Vescovi foi dada em resposta a uma pergunta sobre se as diversas tentativas do governo federal para estancar o elevado endividamento da população não seriam como se o cachorro estivesse correndo atrás do próprio rabo.
"Eu acho que nós também, economistas, estamos um pouco correndo atrás do próprio rabo, porque não está fácil a gente interpretar dinâmicas que estão se acumulando e são simultâneas", citando a questão do ciclo adiantado de política monetária associado à dinâmica do mercado financeiro e de capitais, em que o crédito também passou por uma nova dinâmica.
"Nós temos o fato de termos entrantes no mercado de crédito e o mercado de capitais, que multiplicou por três ou quatro desde 2015. Nos últimos dez anos, trouxe uma bancarização e uma aproximação do crédito para mais pessoas. Então, essa inclusão no crédito é uma realidade", disse a economista do Santander.
Para Vescovi, o crédito está chegando a cerca de 80% da população brasileira na esteira da bancarização, que alcançou níveis máximos históricos.
"E acho que, paralelamente a esse ciclo avançado de política monetária, onde a gente tem um pouso suave da economia, a gente não vê rupturas na atividade. E a gente tem um fator fiscal por trás, que são impulsos recorrentes que estão mantendo essa atividade forte e resiliente", disse, emendando que a sustentação da renda está por trás também do crescimento do crédito.
Antes da fala da economista, os organizadores da FGV Money Lab apresentaram a nova rodada do seu Índice de Desconforto do Crédito (IDC), mostrando que em fevereiro 29,7% da renda do brasileiro estava comprometida com pagamento de dívidas e que a inadimplência na carteira de crédito livre para pessoa física estava em 7,2%.