Após o fracasso nas negociações bilaterais e a entrada em vigor de tarifas de 50% impostas por Donald Trump, o Canadá anunciou que retaliará os Estados Unidos a partir de 8 de setembro. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, rejeitou as exigências americanas sobre setores estratégicos e confirmou tarifas de resposta sobre aço, laticínios, eletrônicos e outros bens dos EUA, aprofundando a guerra comercial entre os dois parceiros históricos.
O Canadá afirmou que divulgará nesta terça-feira, 25, sua resposta às novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países, historicamente aliados.
O governo canadense anunciou na noite de segunda-feira que os ministros das Finanças, da Indústria e do Trabalho, além de outras autoridades, realizarão uma coletiva de imprensa em Ottawa para detalhar as medidas destinadas a proteger trabalhadores e empresas do país.
Canadá e Estados Unidos não chegaram a um acordo na sexta-feira para evitar novas tarifas americanas de 50% sobre determinados produtos canadenses, após semanas de negociações. As medidas entraram em vigor no sábado, e Ottawa anunciou que adotaria tarifas retaliatórias.
Na segunda-feira, Trump afirmou ainda que pretende dobrar, a partir do próximo ano, as tarifas sobre automóveis canadenses, elevando a alíquota para 50%. Atualmente, os veículos produzidos no Canadá estão sujeitos a uma tarifa americana de 25% sobre o conteúdo não americano. O aço importado pelos Estados Unidos, por sua vez, geralmente é tributado em 50%.
Após rejeitar o que classificou como um "mau acordo", o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou tarifas retaliatórias com início previsto para 8 de setembro. As medidas atingirão as indústrias siderúrgica e de laticínios dos Estados Unidos, além de setores como equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos.
Carney afirmou na segunda-feira que o objetivo das negociações com Washington sempre foi alcançar "o melhor acordo para os canadenses", e não aceitar um acordo "a qualquer preço ou em qualquer prazo".
Segundo o primeiro-ministro, os Estados Unidos tentaram impor condições que poderiam prejudicar setores estratégicos da economia canadense, incluindo as indústrias automotiva, siderúrgica e de alumínio. Ele também afirmou que os negociadores americanos buscaram, na última hora, restringir acordos comerciais do Canadá com outros países.
Carney disse ainda que as negociações envolveram "ameaças" consideradas inaceitáveis à língua francesa e à cultura de Quebec, província francófona no leste do país.
Em um evento separado na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, atribuiu o fracasso das negociações às "exigências descabidas de última hora" apresentadas pelo Canadá.
Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá. Cerca de 70% das exportações canadenses têm como destino o país vizinho. O Canadá, por sua vez, é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos em bens neste ano, atrás apenas do México, segundo dados do governo americano. /AFP