Caixa aguarda mais impacto de inadimplência do agro nas provisões deste ano

15 mai 2026 - 12h21
(atualizado às 13h06)

A Caixa espera uma piora nos ‌níveis de atraso da carteira de crédito do agronegócio, o que deve produzir efeitos nas provisões do banco para o ano, afirmaram executivos nesta sexta-feira.

"Nós temos uma expectativa de que, ainda esse ano, tenha impactos na nossa provisão relacionados ao agro", afirmou a vice-presidente de riscos da Caixa, Henriete Sartori, em entrevista coletiva à imprensa sobre o resultado de primeiro trimestre do banco.

Publicidade

Nos três ⁠primeiros meses do ano, a Caixa fez uma provisão para créditos de liquidação duvidosa de R$6,51 ‌bilhões, alta de 21,7% na base trimestral. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu a 3,71%, de 3,07% no último trimestre de 2025. No crédito rural, atingiu 18,29%, de ‌14,09% no quarto trimestre.

Sartori ressaltou que o portfólio agro representa ‌5% da carteira total da Caixa e afirmou que, embora espere que a inadimplência ⁠no segmento irá avançar, a ascendência da curva de crescimento vem reduzindo.

"O cenário não é simples, mas nós já percebemos um arrefecimento da curva de crescimento (da inadimplência)... e de novas recuperações judiciais", acrescentou a executiva, acrescentando que o banco tem adotado um modelo de concessão de crédito mais rigoroso no segmento.

"Nós adotamos novas estratégias de contratação com o agro. Nas operações mais recentes, (o banco) já ‌tem estratégias diferentes e também está privilegiando clientes que já são clientes da Caixa no agro ...e com ‌modelo de risco de crédito um ⁠pouco mais rigoroso."

Publicidade

Questionada sobre ⁠o perfil dos clientes inadimplentes, a vice-presidente de riscos da Caixa disse que são "pequenos, médios e grandes agricultores" ⁠e que não há preocupação de inadimplência com ‌operações das cooperativas. Por região, ela ‌citou grande concentração de inadimplência no Mato Grosso.

De acordo com o presidente-executivo do banco estatal, Carlos Antônio Vieira, entre os fatores que levaram a essa inadimplência está o investimento maciço do banco em 2022 na carteira do agronegócio, mas também o patamar da taxa ⁠de juros e custos adicionais em insumos de quem está produzindo.

Vieira disse que esta não é uma questão da Caixa, mas do mercado como um todo. E destacou que a atenção do governo sobre esse "importantíssimo" segmento é "extrema". "Nós temos conversado isso no âmbito de governo, evidentemente, com uma preocupação de busca de soluções. E eu acho ‌que estamos muito próximos de fechar esse equacionamento", afirmou, sem dar detalhes.

Sartori acrescentou que a Caixa estabilizou o crescimento da carteira de crédito rural, que vem mantendo um saldo de R$60 ⁠bilhões em média. "As novas safras e as novas concessões estão com uma qualidade maior", reforçou.

Publicidade

Em relação à inadimplência nos segmentos imobiliário e de crédito comercial pessoa física e pessoa jurídica, Sartori disse que "não preocupa", enquanto o vice-presidente de finanças da Caixa disse que o banco tem um nível de provisão "bem tranquilo" para a Caixa.

NOVO DESENROLA

De acordo com Vieira, as contratações no âmbito do Novo Desenrola, programa de renegociação de dívida lançado recentemente pelo governo para lidar com o elevado endividamento da população, chegaram a R$820 milhões até a véspera.

Questionada sobre a expectativa final para o programa, Sartori disse que, na base de clientes pessoa física que seriam enquadrados nas regras do programa, o banco tem um total de exposição de R$3 bilhões, que é o valor contábil. "Mas esse valor de fase chegaria a quase R$9 bilhões. Esse é o público-alvo... mas vai depender do interesse do cliente em fazer a renegociação."

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se