O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira que a política monetária não deveria olhar para "testes de soluço" de curto prazo, como os gerados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e avaliou que há espaço para mais cortes na taxa básica de juros, um dia depois de o Banco Central ter reduzido a Selic para 14,25%.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Durigan defendeu ainda as ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar mitigar os impactos da guerra nos preços dos combustíveis no Brasil, argumentando que elas foram tomadas com responsabilidade fiscal.
"A política monetária não deveria olhar para esses testes de soluços ou intercorrências no curto prazo, como foi o caso da guerra, que agora já estamos vendo um arrefecimento, já estamos com o preço do petróleo em um patamar mais baixo", disse o ministro.
"Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso sem dúvida nenhuma é uma competência do Banco Central, eu estou aqui simplesmente expondo a posição que eu penso", acrescentou.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a reduzir a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, dessa vez para 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros "alternativas" para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante.
Analistas ouvidos semanalmente pelo BC no Boletim Focus têm elevado as projeções para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o regime de metas, colocando-a já acima do teto da meta ao final deste ano. Têm elevado também as estimativas para a taxa Selic ao final deste ano e do próximo.
JAQUES WAGNER
Na entrevista, Durigan também foi questionado sobre operação da Polícia Federal nesta quinta-feira que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com os investigadores apontando que ele teria recebido ao menos R$8,35 milhões em vantagens econômicas indevidas para atuar em favor dos interesses do Banco Master, liquidados extrajudicialmente pelo BC no final do ano passado em meio a um escândalo que levou à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro.
O titular da Fazenda disse gostar do líder governista e manifestou confiança de que Wagner dará os esclarecimentos devidos.
"Eu confio e gosto muito do Jaques Wagner, acho que ele tem que ter a oportunidade de se explicar, de se defender, e eu confio que ele vai poder fazer isso", disse Durigan, que ainda buscou colar o escândalo do Master na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, apontando que foi em 2019 que o banco obteve autorização para operar e que foi até 2024 que ele se expandiu, período em que Campos Neto comandava a autarquia.
Durigan também rechaçou declarações dadas na quarta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que o Brasil se tornou um pouco agressivo e "politicamente perigoso".
"Eu não vejo a razão para uma declaração deste tipo, a não ser querer gerar instabilidade, querer atuar em favor da oposição. Acho que existe, sem dúvida, um interesse econômico, para além do interesse político de eventualmente beneficiar a Família Bolsonaro, existem preocupações econômicas que nos chegam", afirmou Durigan.