Brasil está entre os principais impulsionadores da expansão da oferta de petróleo, aponta Opep

Movimento será liderado por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos, diz entidade; produção brasileira deverá continuar crescendo com avanço dos projetos do pré-sal

18 jun 2026 - 10h47

O Brasil deverá figurar entre os principais responsáveis pela expansão da oferta global de petróleo nos próximos anos, segundo o relatório Perspectivas Mundiais de Petróleo (WOO, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira, 18, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A entidade aponta o País ao lado de Catar, Argentina e Canadá como um dos motores do crescimento da produção fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo que reúne integrantes da Opep e aliados.

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De acordo com o relatório, a oferta de líquidos dos produtores fora da DoC deverá crescer cerca de 4,1 milhões de barris por dia (bpd) até 2030, alcançando 58,2 milhões de bpd. A expansão será liderada principalmente por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos.

A maior relevância atribuída ao Brasil ocorre em meio a uma revisão da perspectiva para os Estados Unidos. A Opep afirma que reavaliou para baixo o potencial de crescimento da produção americana de petróleo de xisto e agora considera que o segmento pode ter atingido seu pico em 2025. No relatório do ano passado, a expectativa era de continuidade da expansão até 2030. A organização destaca que, enquanto os EUA eram vistos no WOO 2025 como o principal impulsionador do crescimento da oferta fora da DoC no médio prazo, sua contribuição foi reduzida significativamente na edição deste ano.

Segundo a Opep, a produção brasileira de líquidos deverá continuar crescendo com o avanço dos projetos do pré-sal. A oferta de petróleo bruto do País é projetada para subir de 3,7 milhões de bpd em 2025 para 4,4 milhões de bpd em 2030, apoiada pela entrada em operação de novas plataformas e pelo desenvolvimento de campos em águas ultraprofundas.

A entidade projeta que o Brasil será o segundo maior contribuinte para o aumento da oferta entre os produtores fora da DoC no período entre 2025 e 2050. No horizonte de longo prazo, a produção brasileira de líquidos deverá atingir um pico próximo de 5,8 milhões de bpd no início da década de 2040, antes de recuar moderadamente para 5,6 milhões de bpd em 2050.

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O relatório também destaca a importância crescente da América Latina para o abastecimento global. Segundo a Opep, a região deverá responder por quase 75% do aumento líquido da oferta entre os produtores fora da DoC até 2050, impulsionada principalmente por Brasil e Argentina.

Opep aumenta estimativa de demanda global por petróleo

A demanda global por petróleo deverá alcançar 124,1 milhões de barris por dia (bpd) em 2050, ante 105,1 milhões de bpd em 2025, segundo o relatório da Opep. A projeção reforça a avaliação do cartel de que não há um pico de consumo da commodity no horizonte.

A nova estimativa é superior à apresentada no relatório do ano passado. Em 2025, a Opep previa que a demanda mundial atingiria 122,9 milhões de bpd em 2050. A projeção para 2030 também foi elevada, de 112,3 milhões para 113,3 milhões de bpd, e o consumo deve continuar avançando nas décadas seguintes, sustentado por mudanças recentes em políticas energéticas, preocupações com segurança energética, crescimento econômico e expansão populacional nos países em desenvolvimento.

A Opep afirma que a maior parte do avanço virá das economias não pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A demanda desses países deverá aumentar em 26,9 milhões de bpd entre 2025 e 2050, enquanto o consumo nas economias da OCDE tende a recuar no longo prazo, após uma expansão modesta até o fim da década.

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Segundo o relatório, a Índia será o principal motor do crescimento da demanda global de petróleo nas próximas décadas, com incremento de 8,1 milhões de bpd até 2050. Outros avanços expressivos são esperados em regiões emergentes da Ásia, no Oriente Médio, na África e na América Latina.

A Opep também destaca que os derivados ligados ao transporte e à atividade industrial devem liderar a expansão do consumo. A maior alta projetada é a do querosene de aviação e do combustível de jato, cuja demanda deve aumentar em 4,2 milhões de barris por dia (bpd) até 2050. Na sequência, aparecem diesel e gasóleo, com avanço de 3,8 milhões de bpd, além de GLP/etano (3,5 milhões de bpd), nafta (3,2 milhões de bpd) e gasolina (2,4 milhões de bpd).

No cenário traçado pela organização, o petróleo seguirá como a principal fonte individual da matriz energética mundial em 2050, respondendo por cerca de 30% da demanda total de energia. A Opep sustenta que o crescimento econômico e demográfico das economias emergentes continuará garantindo a expansão do consumo de petróleo nas próximas décadas.

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