Banco Pleno não tinha liquidez para honrar vencimentos de curtíssimo prazo; leia bastidores

BC havia exigido aumento de capital na instituição de Augusto Lima e barrado emissão de novos CDBs, para limitar exposição ao FGC

18 fev 2026 - 09h28
(atualizado às 10h00)

BRASÍLIA - A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, determinada na manhã desta Quarta-feira de Cinzas, ocorreu porque a instituição já não tinha liquidez para honrar compromissos de curtíssimo prazo. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, esse foi um caso "simples", distante das suspeitas de fraude que marcam o Banco Master.

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O Pleno (à época, Banco Voiter) foi vendido pelo Master para um ex-sócio do banco, Augusto Lima, em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo aumentos de capital e que a instituição não emitisse novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Técnicos do BC acompanhavam caixa do Pleno diariamente
Técnicos do BC acompanhavam caixa do Pleno diariamente
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que essa equação vinha se deteriorando. Recentemente, constatou-se que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção por uma liquidação.

Não há suspeitas claras de fraudes no caso do Banco Pleno, ao contrário do caso do Master. O BC, inclusive, nomeou liquidante da instituição José Eduardo Victória, e não Eduardo Félix Bianchini, que cuida dos processos de liquidação das empresas do grupo Master.

A liquidação da instituição também deve ter impacto limitado para o FGC, que já monitorava o risco de uma quebra. Em setembro de 2025, o último dado disponível, o Pleno tinha R$ 5,237 bilhões em depósitos a prazo (que incluem CDBs, garantidos pela instituição).

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Até agora, a conta das garantias pagas pelo FGC por causa da liquidação das empresas do Grupo Master está em R$ 49 bilhões.

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