BRASÍLIA - A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, determinada na manhã desta Quarta-feira de Cinzas, ocorreu porque a instituição já não tinha liquidez para honrar compromissos de curtíssimo prazo. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, esse foi um caso "simples", distante das suspeitas de fraude que marcam o Banco Master.
O Pleno (à época, Banco Voiter) foi vendido pelo Master para um ex-sócio do banco, Augusto Lima, em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo aumentos de capital e que a instituição não emitisse novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que essa equação vinha se deteriorando. Recentemente, constatou-se que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção por uma liquidação.
Não há suspeitas claras de fraudes no caso do Banco Pleno, ao contrário do caso do Master. O BC, inclusive, nomeou liquidante da instituição José Eduardo Victória, e não Eduardo Félix Bianchini, que cuida dos processos de liquidação das empresas do grupo Master.
A liquidação da instituição também deve ter impacto limitado para o FGC, que já monitorava o risco de uma quebra. Em setembro de 2025, o último dado disponível, o Pleno tinha R$ 5,237 bilhões em depósitos a prazo (que incluem CDBs, garantidos pela instituição).
Até agora, a conta das garantias pagas pelo FGC por causa da liquidação das empresas do Grupo Master está em R$ 49 bilhões.