‘Três Graças’ termina com média geral de 22.5 pontos, 1 a menos do que a antecessora na faixa das 21h, ‘Vale Tudo’. Mas a impressão é de sucesso com ‘s’ maiúsculo.
Foi a novela mais bem-avaliada por público, crítica e redes sociais desde o remake de ‘Pantanal’ em 2022.
Marcou o merecido retorno do autor Aguinaldo Silva, 82 anos e em plena criatividade, demitido da Globo por telefone em 2020.
‘Três Graças’ não rendeu recordes no Ibope à emissora, mas entregou algo igualmente importante: a valorização do gênero telenovela, que estava em baixa após algumas produções rejeitadas.
Parte numerosa dos telespectadores recuperou o gosto de sentar diante da TV para acompanhar uma trama todas as noites e repercuti-la em conversas presenciais (o velho boca a boca) e na internet.
Gostou de amar, odiar, torcer, se comover e se irritar com os personagens.
Oscilando entre melodrama com crítica social e humor cáustico, ‘Três Graças’ não teve vergonha de ser um novelão clássico, com os exageros e as contradições que funcionam tão bem como provocação.
Apresentou heroínas, mocinhos e vilões com carisma. Transformou coadjuvantes LGBTs em ‘crushes’ dos jovens do TikTok. Brincou com referências de outros folhetins. Gerou incontáveis memes, conseguindo a imprescindível conexão da TV com o mundo online.
‘Três Graças’ não precisou recorrer ao manjado “quem matou?” nem guardou revelações bombásticas para o último capítulo: entreteve principalmente com o desenvolvimento sem pressa de personagens interessantes e algumas reviravoltas.
Destaque para Sophie Charlotte em sua melhor atuação da carreira como Gerluce, um espelho de tantas brasileiras batalhadoras.
Impossível deixar de citar Grazi Massafera na pele da desbocada Arminda, que se tornou a ‘malvada preferida’ de tanta gente.
Fazia tanto que uma novela não despertava o sentimento de que “vai fazer falta”. ‘Três Graças’ conquistou esse feito raro: transformar o ‘fim’ em despedida sentimental, e não apenas no encerramento de mais uma história.