A fala de Ana Paula no BBB 26, ao contar que ficou sete dias sem evacuar, levanta alguns questionamentos sobre o que é considerado saudável no funcionamento do intestino, quais são as possíveis causas e em que situações o quadro pode se tornar preocupante.
Conforme o gastroenterologista Dr. Cássio Vieira de Oliveira, chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - SP/UNESP e membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), ficar até uma semana sem evacuar não é algo dentro da normalidade e configura constipação.
A constipação é definida pela redução na frequência das evacuações e pela presença de sintomas como esforço excessivo, fezes endurecidas e sensação de evacuação incompleta ou até de bloqueio anal.
Causas de constipação
Conforme o médico, no caso da participante do BBB 26, fatores relacionados ao confinamento contribuem para a constipação, como dieta pobre em fibras, hidratação inadequada, sedentarismo, estresse psicológico e alteração da rotina. "Mudanças abruptas no padrão alimentar, redução de ingestão de frutas, vegetais e cereais, além de diminuição da atividade física, são reconhecidas como causas frequentes de constipação em ambientes de confinamento", explica.
Quando a condição se torna grave
Quando o intestino preso vem acompanhado de outros sintomas, é preciso redobrar a atenção. "Sinais de alerta que indicam que a constipação pode ser um problema mais grave incluem perda de peso involuntária, anemia, sangramento retal, mudança súbita no hábito intestinal, dor abdominal intensa, febre, distensão abdominal progressiva, vômitos ou história familiar de câncer colorretal. A presença desses sintomas deve motivar investigação adicional, como colonoscopia, conforme recomenda a American Society of Colon and Rectal Surgeons", destaca o Dr. Cássio Vieira de Oliveira.
Frequência ideal de evacuação
O Dr. Cássio Vieira de Oliveira explica que há um intervalo considerado seguro entre as evacuações. "Em geral, um adulto saudável pode ficar até 3 dias sem evacuar sem risco significativo, mas períodos superiores a 7 dias aumentam o risco de complicações, como impactação fecal, distensão abdominal e, raramente, megacólon tóxico. O risco é maior em idosos, pacientes acamados ou com comorbidades", afirma.
Regulando o trânsito intestinal de maneira saudável
Medidas seguras para regular o trânsito intestinal incluem aumento gradual da ingestão de fibras (25 g/dia para mulheres e 38 g/dia para homens), hidratação adequada, prática de atividade física, estabelecimento de rotina para evacuação (preferencialmente após refeições), uso de banquinho para elevar os pés ao evacuar e evitar o uso de laxativos fortes sem orientação. A American Society of Colon and Rectal Surgeons e a American Academy of Family Physicians recomendam priorizar essas intervenções antes de considerar medicamentos.
Por Adriano Ferreira