Uma polêmica na televisão francesa extrapolou as fronteiras do país e repercutiu nos quatro cantos do planeta.
Ao vivo no canal CNews, a apresentadora Karine Le Marchand, que estava como convidada de um debate, deu uma declaração considerada racista ao comentar sua primeira vez em Paris na década de 1980.
“Eu vi o RER (trem metropolitano) chegando, vi todos esses pretos, e todos esses muçulmanos, bem, esses árabes, que estavam saindo. Pessoas que tinham rostos que eu não estava acostumada a ver”, disse ela, nascida em Nancy, no interior. “Não pude deixar de ficar um pouco assustada.”
Outros comentaristas na bancada reagiram com expressão de susto e riso nervoso. Até o âncora, Pascal Praud, famoso pelo apoio à extrema direita anti-imigração, pareceu desconfortável.
“E então, muito rápido, me acostumei e não tive mais medo de rostos estrangeiros”, relativizou Karine.
O recorte da fala problemática viralizou na mídia e nas redes sociais da França. Filha de uma francesa e um africano do Burundi, a apresentadora se viu obrigada a gravar um vídeo em sua defesa.
“De uma entrevista de 30 minutos, eles tiraram 15 segundos de contexto”, afirmou. "Sou meio preta e orgulhosa disso. Metade branca também. Tenho orgulho de quem sou e do que conquistei. Eu assumo completamente quem eu sou.”
Políticos de esquerda anunciaram a intenção de denunciar a jornalista por racismo.
Essa não é a primeira polêmica protagonizada por Karine Le Marchand. Ela já foi acusada de ser transfóbica ao fazer um programa sobre identidade trans e de agir com gordofobia em outra produção jornalística, sobre pessoas obesas.