O governador Tarcísio de Freitas garantiu que a Polícia Civil cumprirá a decisão do STF de enviar à PF dados sobre a produtora do filme "Dark Horse", que retrata Jair Bolsonaro. A PF apura desvios de emendas parlamentares ligados à empresa e ao deputado Mário Frias, autor do roteiro, que nega irregularidades. Tarcísio também rebateu acusações da oposição sobre suposta lentidão intencional no caso, defendendo a atuação técnica da corporação como uma instituição de Estado e não de governo.
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 25, que a Polícia Civil paulista cumprirá eventuais determinações judiciais relacionadas ao compartilhamento com a Polícia Federal de dados apreendidos em uma operação que atingiu Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Obviamente, se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida", declarou Tarcísio.
O governador também rebateu críticas de petistas segundo as quais a Polícia Civil teria retardado a investigação para evitar desgastes a aliados políticos em ano eleitoral. Tarcísio classificou a corporação como uma instituição de Estado e disse que questionamentos dessa natureza demonstram "desapreço" e "desrespeito" às forças policiais.
"É uma polícia extremamente profissional. É uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo. A Polícia Militar é uma polícia profissional, a Polícia Civil é uma polícia profissional, e a gente tem que ter confiança nas instituições de Estado", afirmou.
Tarcísio acrescentou que a Polícia Civil não se manifestou a respeito de sigilo ou de alguma suposta irregularidade na condução do caso. "As investigações seguem o rito estabelecido na legislação. Nós temos profissionais que estão à frente conduzindo esse caso e, à medida que as determinações judiciais vão aparecendo, elas vão sendo cumpridas também", disse.
As declarações foram dadas em entrevista coletiva após o VII Seminário de Enfrentamento à Violência Doméstica, organizado pela Prefeitura de São Paulo. O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), acompanhou o governador.
Na segunda-feira, 24, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal do material apreendido pela Polícia Civil paulista na operação que atingiu Karina. A própria PF solicitou acesso aos dados para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo de emendas parlamentares, envolvendo a produtora Go UP Entertainment Ltd.
Karina é sócia da empresa responsável pela produção de "Dark Horse". O roteiro do filme é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou, em 2024, R$ 2 milhões em emendas parlamentares a uma organização não governamental vinculada ao projeto.
Em maio, a defesa de Frias negou ao ministro Flávio Dino que o deputado tenha participado de uma triangulação de recursos de emendas para financiar o filme. Segundo a defesa, a alegação é "puramente especulativa", baseada em "pré-julgamento" e em argumento insuficiente para sustentar a existência de irregularidades.