Em cerimônia do Dia do Soldado, o presidente Lula defendeu que investimentos em Defesa sejam prioridade estratégica para proteger o país e celebrou o ingresso de mulheres no Exército. Embora pregue maior atenção ao setor, os recursos previstos em sua gestão são inferiores aos destinados no governo Bolsonaro. Ao final do evento, Lula evitou responder a jornalistas sobre investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Lulinha e seu ex-chefe de gabinete por suposto tráfico de influência.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na manhã desta terça-feira, 25, da cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado, realizada no Quartel-General do Exército, em Brasília. A presença do presidente no evento ocorre como mais um aceno às Forças Armadas.
Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar a atenção à Defesa e criticou a ideia de que investimentos no setor devam ocorrer apenas quando houver recursos disponíveis. "Defesa não pode ser uma coisa para quando sobrar dinheiro", disse o candidato do PT à reeleição.
Após breve pronunciamento a jornalistas, Lula não respondeu a perguntas sobre o impacto das investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em sua campanha eleitoral. Os dois são investigados pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência.
Ao citar a extensão das fronteiras brasileiras, as reservas naturais e minerais e as riquezas existentes no território nacional, o presidente afirmou que o País precisa estar preparado para proteger seus interesses.
"Nós temos que priorizar, preparar este País não para a guerra, preparar este País para a paz, preparar este País para defender o nosso território, as nossas riquezas e o nosso povo", disse Lula.
Em outro aceno, desta vez ao público feminino, Lula ressaltou a entrada de mulheres no Exército brasileiro e a participação delas num desfile militar. Disse que se trata de uma "revolução comportamental dos homens, que estão dizendo (às mulheres): 'Vocês não devem nada a nós, entrem e disputem'".
"Elas são as primeiras recrutas do Exército, que entraram neste ano, e estão preparadas para mostrar que mulher pode estar em qualquer lugar, fazer qualquer coisa, desde que ela queira fazer", disse.
Segundo Lula, a presença feminina nas Forças Armadas representa uma mudança de comportamento em uma instituição marcada historicamente pela predominância masculina. Ele citou ainda a chegada da primeira mulher ao posto de general do Exército como exemplo dessa transformação.
"Hoje é um dia glorioso por conta da inclusão das mulheres. Graças a Deus, as mulheres estão ganhando espaço, mostrando a cada dia que passa que as mulheres não têm que pedir licença para ninguém para fazer o que ela quer fazer", afirmou.
Lula também fez referência à trajetória profissional de mulheres em áreas que, segundo ele, eram tradicionalmente ocupadas por homens. "Parece pouca coisa, mas para um país com uma cultura machista, com as Forças Armadas com a cultura machista, isso é mais do que uma evolução, é uma revolução comportamental dos homens", declarou.
Neste ano, a participação de integrantes das Forças Armadas em atividades político-partidárias caiu 71,6% em comparação com 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, disputou a reeleição.
Apesar do discurso de maior atenção à área, os números do orçamento indicam que Lula destinou menos recursos para investimentos nas Forças Armadas do que Bolsonaro em seus respectivos primeiros quatro anos de governo. Dados do sistema Siga Brasil apontam que, entre 2023 e 2026, foram reservados R$ 40,7 bilhões para investimentos no Exército, na Marinha e na Aeronáutica. No período de 2019 a 2022, a gestão Bolsonaro destinou R$ 45,7 bilhões para a mesma finalidade, uma diferença de aproximadamente 11%.
A Defesa ganhou espaço no discurso de Lula durante a convenção nacional do PT, realizada no início deste mês, em São Paulo, quando sua candidatura à Presidência foi oficializada. Na ocasião, o presidente fez uma cobrança ao próprio campo político e defendeu que a esquerda trate a área como uma prioridade estratégica.
"A questão da Defesa... Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem, de achar que a gente não tem que ter preocupação com a Defesa. Este País tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Este País tem a maior floresta tropical do planeta. Este País tem 12% da água doce do mundo. Nós precisamos investir na defesa", afirmou Lula.