O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, rejeitou nesta terça-feira a alegação de Elon Musk de que ele teria traído a missão fundadora da criadora do ChatGPT de servir ao bem público e disse que era Musk quem estava interessado em assumir o controle da OpenAI e ganhar dinheiro com ela.
Em um processo de agosto de 2024, Musk acusou Altman e a OpenAI de persuadi-lo a doar US$38 milhões, apenas para ver a organização sem fins lucrativos tornar-se uma corporação que busca o lucro.
O julgamento, agora na terceira semana, pode determinar o futuro da OpenAI e de sua liderança, enquanto a empresa se prepara para uma possível oferta pública inicial de a;óes que pode avali[a-la em US$1 trilhão.
Ao ser questionado por seu advogado no tribunal federal de Oakland, Califórnia, Altman negou a alegação de Musk de que ele e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, que também é réu, tentaram "roubar uma instituição de caridade".
Altman disse que "é difícil até mesmo envolver minha cabeça nesse enquadramento" e que ele espera que "à medida que a OpenAI continue a se sair bem, a organização sem fins lucrativos se sairá ainda melhor".
Os advogados de Musk tentaram retratar Altman como um mentiroso sobre seus planos para a OpenAI.
Musk testemunhou no início do julgamento: "Ter alguém que não seja confiável no comando da IA, é um perigo muito grande para o mundo todo."
O homem mais rico do mundo está buscando cerca de US$150 bilhões em indenizações da OpenAI e da Microsoft, um dos principais investidores da empresa, a serem pagos a uma organização sem fins lucrativos da OpenAI. Musk também quer que Altman e Brockman sejam afastados de suas funções.
ALTMAN RECUSA OFERTA
A OpenAI foi cofundada em 2015 por vários empreendedores, incluindo Musk e Altman.
A empresa tentou mostrar que Musk sabia sobre o plano com fins lucrativos antes de deixar seu conselho de administração em 2018, mas queria o controle da empresa e está processando porque se arrepende de ter perdido possíveis riquezas. A OpenAI criou uma entidade com fins lucrativos em março de 2019.
Perguntado se Musk se opunha ao plano com fins lucrativos, Altman disse "muito pelo contrário".
Altman lembrou que Musk chegou a exigir uma participação de 90% na OpenAI e disse que estava "extremamente desconfortável" em ceder o controle majoritário, mesmo quando Musk diminuiu suas exigências.
"Eu tinha muita experiência com startups, tinha visto muitas brigas pelo controle", disse ele, citando a SpaceX de Musk como um exemplo em que os fundadores de empresas com bom desempenho consolidaram o poder para garantir o controle permanente.
Altman também disse que, embora ele e outros líderes da OpenAI quisessem ficar ao lado de Musk, ele se recusou a fazer uma fusão da empresa com a Tesla, a empresa de carros elétricos de Musk.
"Acho que não teríamos a capacidade de garantir que (nossa) missão fosse cumprida", disse ele. "Fundamentalmente, a Tesla precisa atender a seus clientes e vender carros."
HONESTIDADE DE ALTMAN QUESTIONADA
Durante o interrogatório, o advogado de Musk, Steven Molo, questionou a honestidade de Altman.
Ele citou o depoimento de um ex-membro da diretoria da OpenAI de que Altman promoveu uma "cultura tóxica de mentiras" e de sete ex-funcionários da OpenAI que disseram que Altman não era confiável.
"Você enganou as pessoas quando fez negócios?", perguntou Molo a Altman. "Acredito que sou uma pessoa de negócios honesta e confiável", respondeu Altman. "Essa não é a minha pergunta. Você já enganou as pessoas quando fez negócios?"
"Acho que não."
ALTMAN SURPRESO
O julgamento marca um confronto entre os gigantes da tecnologia, com Musk se apresentando como defensor das pessoas comuns contra os perigos da IA e os titãs do Vale do Silício que se preocupam mais com o dinheiro.
Isso ocorreu depois que a OpenAI arrecadou centenas de bilhões de dólares de grandes empresas de tecnologia e investidores para investir em poder de computação. Altman disse que a OpenAI arrecadou US$175 bilhões de investidores privados ao longo de sua existência.
A saída de Musk da empresa provocou sentimentos contraditórios dentro da OpenAI, disse Altman, com algumas pessoas preocupadas com a possibilidade disso impedir o financiamento para a companhia, enquanto outras ficaram aliviadas por se livrarem das cobranças de Musk sobre progressos dos pesquisadores.
"Acho que o Sr. Musk não sabia como administrar um bom laboratório de pesquisa", disse Altman. "Ele desmotivou alguns de nossos pesquisadores mais importantes."
O presidente da OpenAI, Bret Taylor, também testemunhou nesta terça-feira e afirmou que a OpenAI recebeu uma oferta formal de aquisição de um consórcio liderado pela empresa rival de Musk, a xAI, em fevereiro de 2025, seis meses após Musk ter processado a empresa.
"Fiquei surpreso", disse Taylor. "Essa proposta era para adquirir essa organização sem fins lucrativos por um grupo de investidores com fins lucrativos, o que parecia contraditório com o espírito da ação judicial."
Os depoimentos podem ser concluídos nesta semana, e os jurados poderão começar a deliberar se os réus são responsáveis até 18 de maio.
A juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, que supervisiona o julgamento, determinará as medidas corretivas.
Em depoimentos anteriores, o ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, declarou que passou cerca de um ano reunindo provas para os diretores da OpenAI sobre o "padrão consistente de mentiras" de Altman, enquanto o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, chamou o investimento de sua empresa na OpenAI de "risco calculado".
Outros que testemunharam incluem Brockman e Shivon Zilis, ex-membro da diretoria da OpenAI que também é mãe de quatro dos filhos de Musk.