Em dezembro de 2009, duas das maiores gravadoras do planeta organizaram uma festa em Nova York com Bono como convidado de honra para celebrar o lançamento de algo que, segundo elas, devolveria o controle do negócio musical na internet — setor que, como veremos agora, não vivia seu melhor momento.
Chamava-se Vevo, acrônimo de "Video Evolution". A (r)evolução durou menos de uma década: mudanças profundas no mercado e a chegada de uma nova forma de entender os videoclipes relegaram a plataforma ao plano secundário nostálgico que ela ocupa hoje.
Tempos difíceis
No fim dos anos 2000, a indústria musical estava se desintegrando. A receita com vendas de discos vinha caindo havia anos por causa do efeito combinado da pirataria e de uma digitalização caótica, feita à margem das gravadoras e muito distante do cenário organizado e oficial que existe hoje graças às plataformas de streaming. Por exemplo: o YouTube (que já havia sido comprado pelo Google em 2006) acumulava centenas de milhões de reproduções de videoclipes sem que as gravadoras recebessem um centavo de compensação. Tentou-se renegociar os termos dessa relação, sem sucesso: a Warner Music Group foi a primeira a retirar todo o seu catálogo do YouTube em 2008.
Doug Morris, então CEO da Universal Music Group e figura central na criação da Vevo, visualizou uma maneira de entrar no negócio da internet e dos videoclipes ao ver seu neto consumindo vídeos musicais online com publicidade. Isso o levou a perguntar quanto dinheiro a ...
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