Ao longo de muitas décadas, ouvimos a repetição de que o sobrepeso e a obesidade eram resultado de falta de força de vontade, de comer demais ou de se exercitar de menos. No entanto, há anos a ciência vem buscando causas que não são visíveis à primeira vista para entender a obesidade como uma doença complexa, crônica e influenciada por diversos fatores.
Dois grandes estudos publicados recentemente trouxeram evidências muito importantes de que a forma como nos relacionamos com a comida e o tamanho do nosso corpo na infância nem sempre são uma "escolha", mas sim, em uma proporção surpreendente, uma herança determinada pelo nosso DNA e amplificada pelo ambiente.
Fator genético
O primeiro desses estudos, publicado na revista PLOS Medicine, analisou 86 mil crianças acompanhadas pelo estudo norueguês MoBa. O objetivo era entender até que ponto o índice de massa corporal (IMC) dos pais determina o tamanho corporal e os hábitos alimentares dos filhos aos oito anos de idade.
Os resultados superaram as expectativas de muitos geneticistas. Utilizando modelos de equações estruturais, os pesquisadores descobriram que a genética explica cerca de 79% da associação entre o IMC da mãe e o do filho. Quando a análise considera o pai, o número é ainda mais expressivo: o DNA responde por aproximadamente 94% da associação entre o IMC paterno e o da criança.
Isso significa que, quando observamos padrões de obesidade que se repetem de pais para filhos, o principal fator não é necessariamente que ...
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