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Moradores do Grajaú, o maior distrito de SP, cobram metrô até a Avenida Paulista

Um abaixo-assinado circula pedindo alternativa de transporte para a região onde vivem mais de 400 mil pessoas

28 nov 2025 - 09h36
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Resumo
Moradores do Grajaú, maior distrito de São Paulo, organizam um abaixo-assinado pedindo ao governo estadual a criação de uma linha de metrô que conecte a região à Avenida Paulista, em busca de melhoria no transporte público e condições dignas de mobilidade.
Valmira Coelho, liderança comunitária há mais de 50 anos no Grajaú, lembra que as mobilizações populares transformaram a região.
Valmira Coelho, liderança comunitária há mais de 50 anos no Grajaú, lembra que as mobilizações populares transformaram a região.
Foto: Arquivo pessoal

As ruas estreitas, íngremes e irregulares revelam a ausência de planejamento urbano. As casas foram construídas de acordo com os recursos dos moradores, criando uma malha urbana fragmentada e pouco funcional, que prejudica a mobilidade: os moradores do Grajaú levam mais de duas horas para chegar ao centro. Cansados, iniciam um abaixo-assinado pedindo metrô.

A jornalista Melissa Araújo, uma das articuladoras da reivindicação, explica que o pedido é para o governo estadual estudar a viabilidade da construção de uma linha de metrô ligando o Grajaú à Avenida Paulista. “O abaixo-assinado não resolve o problema de imediato, mas abre espaço para um debate necessário. O que enfrentamos todos os dias é desumano. Temos direito a um ir e vir digno”, afirma.

A professora aposentada Valmira Coelho, liderança comunitária há mais de 50 anos no Grajaú, lembra que as mobilizações populares transformaram a região. “Quando cheguei aqui, não havia nada. Lutamos por água, luz, escolas, saúde, asfalto e transporte. Já tivemos linhas com 55 ônibus ligando a periferia ao centro, mas muitas foram desativadas. Hoje a situação é muito pior. A chegada do metrô seria uma conquista histórica”.

Melissa Araújo, uma das articuladoras do abaixo-assinado, sabe das dificuldades de trazer o metrô, mas quer, ao menos, iniciar a discussão.
Melissa Araújo, uma das articuladoras do abaixo-assinado, sabe das dificuldades de trazer o metrô, mas quer, ao menos, iniciar a discussão.
Foto: Arquivo pessoal

Qual a proposta de metrô dos moradores do Grajaú?

Os moradores sugerem um traçado que parte da Avenida Dona Belmira Marin, na área conhecida como Bola Branca, seguindo até a Estação Grajaú da Linha 9. O trajeto incluiria a Estação Campo Belo da Linha 5 e terminaria na Estação Brigadeiro, da Linha 2-Verde.

A proposta atende moradores, trabalhadores, estudantes, hospitais, o Autódromo de Interlagos e locais de grande fluxo, como a igreja do Padre Marcelo. A proposta sugere até um nome e uma cor para a nova linha, que seria identificada como “grafite”, em referência às obras coloridas nos muros e fachadas, que caracterizam a região.

Segundo Melissa Araújo, “uma linha que conte a história da quebrada com arte poderia até virar um ponto turístico”. O Metrô de São Paulo informa que “não teve conhecimento da mobilização da população do Grajaú” e que “estuda constantemente a viabilidade de novos projetos”. Informou ainda que o planejamento de novas linhas tem como base a pesquisa Origem e Destino.

A região do Grajaú é atendida por linhas de transporte como a 9-Esmeralda, do trem, mas moradores dizem que é pouco.
A região do Grajaú é atendida por linhas de transporte como a 9-Esmeralda, do trem, mas moradores dizem que é pouco.
Foto: Divulgação

Grajaú, maior distrito de São Paulo

A distância entre o Grajaú e o centro de São Paulo é de 32 quilômetros. A ocupação da região ganhou força com a industrialização e a construção da Represa Billings, nos anos 1950. Hoje, o distrito reúne cerca de 100 bairros e, segundo dados do Censo, teria porte equivalente ao 131º município mais populoso do país. Com mais de 400 mil habitantes, é o maior distrito da capital paulista.

A região do Grajaú se tornou um exemplo extremo da desigualdade no acesso ao transporte público. A falta de planejamento urbano, somada ao crescimento acelerado, transformou o extremo sul em um território onde circular se tornou quase impossível.

Os moradores reclamam que os meios de transporte públicos não são suficientes para atender a demanda dos moradores do Grajaú, Cidade Dutra, Interlagos e demais bairros do entorno. Em dias de eventos no Autódromo de Interlagos, o volume de passageiros chega a triplicar, o que transforma o deslocamento em um desafio ainda mais crítico.

Fonte: Visão do Corre
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