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William Costa fala sobre Darlei, de Emergência Radioativa

Minissérie inspirada em tragédia real remonta o desastre do Césio-137

16 abr 2026 - 10h36
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Voz de uma tragédia

"Esse trabalho me despertou um sentimento de revolta porque, quando estudei a história das vítimas, entendi que até hoje não ocorreu uma reparação realmente justa. Além de ter responsabilidade na contaminação, o Estado ainda deixou esse caso cair no esquecimento", inicia o ator William Costa, ao comentar seu papel na série que segue entre as mais assistidas do catálogo da Netflix.

Créditos fotografia _ Ana Moravi
Créditos fotografia _ Ana Moravi
Foto: Revista Malu

A justa indignação vem também de um lado muito pessoal: "Quando eu era mais novo e morava em Itambacuri (MG), costumava sair com meus irmãos para catar sucatas, recicláveis, e principalmente fios de cobre, para vender em ferros-velhos. Costumávamos explorar em todo tipo de lugar e já entramos em lugares arriscados também, porque precisávamos fazer aquilo pra ajudar em casa. Por sorte, não fomos expostos a nada radioativo, mas fomos expostos a outros riscos", desabafa. 

Enquanto Darlei acabou envolvido em uma das maiores tragédias da história do Brasil, William foi salvo, literalmente, pela arte. Escondido dos irmãos, pegava alguns dos fios de cobre para produzir brinquedos; dessa paixão pelo artesanato, o interesse pelo teatro eventualmente surgiu. "E hoje ainda faço esses bonecos como artesanato para enfeitar minha casa, dar de presente e expor em galerias quando tenho a oportunidade. Venho de uma base com poucas oportunidades, de momentos em que tudo esteve muito perto de faltar, e isso muda a forma como você enxerga o mundo e o que você quer conquistar. Hoje, essa vontade virou combustível para ocupar mais espaços e construir uma carreira sólida", revela.

Em entrevista exclusiva à MALU, ele abriu o coração sobre sua participação, refletiu sobre as mazelas do Brasil e comentou a mensagem do projeto.

O que mais te impactou ao dar vida a um personagem inspirado em vítimas de uma tragédia real?

"Fiz muita pesquisa sobre a tragédia. Por se tratar de um acontecimento tão relevante e, ao mesmo tempo, tão pouco falado, isso me fez pensar no quanto a saúde e a segurança das pessoas que trabalham com coleta de materiais recicláveis e em ferros-velhos são negligenciadas por puro desinteresse e incompetência dos que podem fazer uma mudança real. O processo de preparação me trouxe essa reflexão sobre como o consumo excessivo faz com que grandes indústrias produzam sem parar, gerando tantos resíduos e materiais que vão parar na mão dessas pessoas que estão na base, vendendo material para um ferro-velho, por exemplo, para pagar as contas.

A série escancara o racismo ambiental que existiu naquela época em Goiânia e que existe até hoje no país todo. No Brasil, pessoas que não têm escolha sobre sua própria realidade são obrigadas a trabalhar em situações extremamente arriscadas e, por desinformação, estão sujeitas a se contaminarem de diversas formas. Isso que aconteceu em 1987 pode se repetir de forma diferente, em lugares diferentes."

Você contracenou com grandes nomes como Bukassa Kabengele, Alan Rocha e Johnny Massaro. Como foi esse processo?

"Foi algo muito rico, principalmente com o Bukassa Kabengele e o Alan Rocha. Era a primeira vez que eu trabalhava com eles, então foi um privilégio. Desde o começo, conversamos muito sobre como queríamos retratar esses personagens com dignidade e humanidade, fugindo do óbvio. Mesmo sendo uma história dentro de um contexto trágico, a nossa preocupação era mostrar as camadas, as contradições, tudo aquilo que vai além do estereótipo. Já com o Johnny, eu já havia trabalhado em 2019. Foi muito bom dividir a cena com ele de novo em outro momento da minha carreira."

Qual mensagem espera que o público leve ao assistir?

"A série tem tido uma repercussão muito forte e receber esse retorno tem sido algo muito especial para mim. É bonito ver o trabalho chegando nas pessoas. Eu espero que a série faça o público refletir de verdade, que consiga se conectar com a dor das vítimas e entender que essas tragédias não acontecem do nada. Existe um contexto por trás, e o racismo ambiental faz parte disso quando determinadas populações vulneráveis acabam expostas a situações de risco, negligência e abandono.

Mais do que comover, eu espero que a série ajude a manter viva uma indignação necessária. Que as pessoas sejam tocadas, mas também fiquem mais conscientes e menos indiferentes. Porque, no fim, são histórias que não deveriam continuar se repetindo. Isso tudo aumenta ainda mais o meu senso de responsabilidade como artista e reforça o meu compromisso de dar vida a personagens com histórias que não só emocionem, mas também façam pensar e abram espaço para discussões importantes."

"Quero me conectar com projetos internacionais, mas também olhar para onde eu vim: investir em iniciativas culturais em Samambaia, onde cresci, e em Itambacuri, minha terra natal. Levar acesso à arte, criar oportunidades… isso também faz parte do que eu quero construir."

Revista Malu Revista Malu
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