Varizes nas coxas: o que a aparência das veias revela
Localização e aparência das varizes podem dar pistas sobre a origem do problema e orientar o tratamento
Mais que um incômodo estético, as varizes nas coxas costumam ser reflexo de problemas em veias mais profundas, como a safena ou a circulação pélvica. Apenas remover os vasos visíveis aumenta o risco de recorrência, sendo essencial o diagnóstico preciso via ultrassom Doppler para identificar o refluxo venoso. Mesmo sem veias dilatadas evidentes, sintomas como inchaço e peso exigem atenção médica. Hoje, os tratamentos são modernos, personalizados e minimamente invasivos, sem exigir internação.
Mais do que uma questão estética, as varizes podem indicar alterações na circulação e precisam de investigação
Embora possam surgir em qualquer parte dos membros inferiores, as varizes localizadas nas coxas costumam chamar mais atenção por ficarem expostas em roupas curtas ou durante o verão. "O que muita gente não sabe é que essas veias aparentes nem sempre representam o verdadeiro problema. Em muitos casos, elas funcionam como um sinal de alerta para alterações na circulação venosa que começam em regiões mais profundas da anatomia superficial da perna e exigem uma investigação cuidadosa", explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, mestre em Ciências pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
A médica, com atuação focada em tratamentos modernos e minimamente invasivos de varizes, explica que o aspecto estético costuma ser apenas uma parte da história. "A veia dilatada que o paciente enxerga pode não ser a origem da doença. Hoje sabemos que tratar apenas a variz visível, sem investigar a causa do refluxo venoso, aumenta o risco de recorrência", diz ela.
7 curiosidades sobre as varizes nas coxas
Pensando nisso, a especialista explica abaixo, em 7 pontos, algumas curiosidades sobre as varizes que surgem nas coxas.
1. A veia aparente pode ser apenas a ponta do iceberg
Muitas varizes localizadas na face interna da coxa são consequência de refluxo da veia safena magna ou de seus ramos tributários. "Isso significa que a veia que aparece na pele pode ser apenas uma manifestação de uma insuficiência venosa que começa mais acima, geralmente na região da virilha, onde está localizada a junção safeno-femoral. É muito comum o paciente acreditar que o problema é apenas aquela veia que está visível. Entretanto, em muitos casos, ela apenas denuncia uma alteração em uma das principais veias superficiais da perna", diz Aline.
2. Nem sempre a veia visível é a responsável pela doença
Outro conceito pouco conhecido é o das chamadas veias nutrizes, responsáveis por alimentar as varizes com sangue proveniente de segmentos onde existe refluxo. "Quando apenas a veia aparente é eliminada, sem tratar sua origem, novas varizes podem surgir ao longo do tempo. Por isso, antes de indicar qualquer procedimento, realizamos um mapeamento completo com ultrassom Doppler. O exame mostra exatamente de onde vem o refluxo e permite um tratamento muito mais preciso", ressalta a cirurgiã vascular.
3. A localização da variz pode dar pistas sobre sua origem
A posição da variz na coxa também ajuda o especialista a entender a doença. Quando predominam na parte interna da coxa, frequentemente estão relacionadas à veia safena magna, segundo a médica. "Já varizes na região posterior podem indicar refluxo em outros sistemas venosos, como a veia safena parva, veias perfurantes ou tributárias posteriores. A localização das veias fornece pistas importantes, mas somente a avaliação clínica associada ao ultrassom permite identificar a origem exata da insuficiência venosa", destaca.
4. Algumas varizes da coxa podem ter origem na pelve
Em algumas mulheres, principalmente após múltiplas gestações, determinadas varizes localizadas na parte alta da coxa, na região glútea ou próximas ao períneo podem estar relacionadas a refluxos originados nas veias da pelve. "Nesses casos, a investigação vascular pode precisar ir além das pernas. Nem toda variz nasce na própria perna. Existem pacientes cuja origem do problema está na circulação pélvica, e identificar isso é fundamental para o sucesso do tratamento."
5. A ausência de grandes veias aparentes não significa que a circulação esteja normal
Pessoas com sobrepeso ou maior quantidade de tecido adiposo na região das coxas podem apresentar sintomas importantes de insuficiência venosa mesmo sem grandes varizes visíveis. "Sensação de peso, inchaço, queimação e cansaço nas pernas podem indicar alterações da circulação que merecem avaliação. A aparência nem sempre traduz a gravidade da doença. Existem pacientes com poucas veias aparentes, mas bastante sintomáticos", enfatiza Aline.
6. As varizes podem aumentar progressivamente se o refluxo não for tratado
Como o sangue passa a circular em sentido contrário ao esperado, ocorre aumento da pressão dentro das veias superficiais. Com o passar dos anos, outras veias podem se tornar dilatadas, favorecendo o aparecimento de novos vasos, edema, alterações na pele e, em casos mais avançados, úlceras venosas, segundo a cirurgiã vascular. "O tratamento precoce interrompe esse ciclo de progressão e ajuda a preservar a função da circulação venosa."
7. Hoje o tratamento costuma ser realizado sem internação
A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser tratada de forma minimamente invasiva. "Após a avaliação clínica e o mapeamento por ultrassom, o plano terapêutico é individualizado e pode combinar diferentes técnicas realizadas em consultório ou em ambiente ambulatorial, como escleroterapia com espuma, laser transdérmico, aplicação de esclerosantes para vasos de diferentes calibres e procedimentos termoablativos para tratar a veia safena quando indicado. Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser realizado em etapas, proporcionando maior conforto ao paciente e permitindo uma recuperação rápida, sem necessidade de internação na maior parte dos casos", explica a médica. "O objetivo atual não é apenas eliminar a veia que incomoda esteticamente, mas tratar a causa da insuficiência venosa de maneira personalizada. Quando planejamos o tratamento com base no mapeamento da circulação, conseguimos resultados mais duradouros e seguros", finaliza.
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