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Harmonização facial: quais cuidados mudam conforme o paciente envelhece?

Harmonização facial e idade: entenda os riscos dos excessos e como evitar

3 set 2026 - 15h15
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Resumo
A harmonização facial busca o envelhecimento saudável com foco que varia com a idade: prevenção aos 30 anos, sustentação aos 40 e combinação de tecnologias após os 50, podendo exigir cirurgia aos 60. Como o tempo afeta ossos, músculos e gordura, o tratamento exige avaliação individualizada e vai além de preencher rugas. Especialistas e a Anvisa alertam que o excesso de produtos traz riscos graves à saúde, distorce contornos e gera artificialidade, devendo focar sempre na naturalidade do paciente.

Harmonização facial em diferentes idades: saiba os cuidados para cada fase

Os pacientes e profissionais já não associam a harmonização facial apenas à busca por mudanças marcantes na aparência, mas a envolvem também na prevenção, na manutenção da qualidade da pele e em estratégias de envelhecimento saudável. No entanto, os cuidados e objetivos de um procedimento estético não são necessariamente os mesmos aos 30, 40, 50 ou 60 anos. O envelhecimento provoca mudanças progressivas na pele e em diferentes estruturas da face, o que exige avaliações individualizadas.

Foto de Sam Moghadam na Unsplash
Foto de Sam Moghadam na Unsplash
Foto: Revista Malu

Simone Lima, especialista em harmonização orofacial e professora do Instituto Orofacial das Américas conta que a idade deve ser considerada no planejamento, mas não pode ser o único critério. "A idade cronológica orienta, mas não determina o tratamento. Por volta dos 30 anos, o foco costuma ser preventivo: preservar a qualidade da pele, estimular colágeno e controlar a movimentação muscular excessiva com toxina botulínica, quando houver indicação", explica.

Aos 40

Segundo a especialista, a partir dos 40 anos, as alterações estruturais tendem a ficar mais perceptíveis. "Aos 40, tornam-se mais perceptíveis a perda de sustentação, as alterações de contorno e o início da flacidez. A partir dos 50, geralmente é necessário combinar tecnologias, bioestimuladores e reposição estratégica de volume. Depois dos 60, o planejamento deve ser ainda mais cuidadoso, respeitando a qualidade dos tecidos e reconhecendo quando procedimentos minimamente invasivos não substituem uma indicação cirúrgica", afirma.

Simone explica que o envelhecimento facial acontece em diferentes camadas e, por isso, o tratamento não deve se limitar à aplicação de produtos para preencher rugas. "O envelhecimento facial não acontece apenas na pele, mas em diferentes camadas. Com o passar dos anos, ocorrem redução de colágeno, redistribuição dos compartimentos de gordura, alterações musculares e ligamentares e reabsorção de pontos ósseos importantes para a sustentação facial", diz.

Por esse motivo, o planejamento precisa considerar a estrutura responsável por cada alteração. "Não basta preencher rugas ou simplesmente adicionar volume: é necessário compreender qual estrutura está causando aquela alteração. Quanto mais sinais de envelhecimento estiverem estabelecidos, maior poderá ser a necessidade de associar terapias", explica.

Cada caso é individual

A especialista destaca que uma mesma estratégia estética não deve ser aplicada indistintamente em pacientes de diferentes idades. "Utilizar uma 'receita de bolo' ignora que cada rosto possui anatomia, necessidades e ritmo de envelhecimento próprios", afirma. Segundo ela, enquanto uma pessoa pode precisar tratar cicatrizes de acne e qualidade da pele, outra podem necessitar de reposicionamento de estruturas, correção de assimetrias ou recuperação de suporte.

O excesso de procedimentos também pode produzir um resultado contrário ao desejado. "O excesso de preenchedores pode gerar peso, distorção dos contornos e perda da identidade facial, sem necessariamente produzir rejuvenescimento. Além disso, tentar compensar flacidez importante apenas com volume pode tornar o rosto artificial", alerta Simone.

A preocupação com excesso também é relevante do ponto de vista da segurança. A Anvisa informa que preenchedores dérmicos são produtos injetáveis classificados como dispositivos médicos de classe de risco III ou IV e alerta para possíveis complicações quando utilizados fora das indicações previstas, incluindo oclusão vascular e alterações visuais.

Avaliação é essencial

Antes de realizar qualquer procedimento, a recomendação é passar por uma avaliação individualizada. "O primeiro passo é realizar uma avaliação facial completa com um profissional habilitado e experiente, que considere histórico de saúde, anatomia, qualidade da pele, movimentação muscular, proporções e expectativas", orienta a especialista.

Simone também recomenda cautela com protocolos padronizados e promessas feitas nas redes sociais. "O paciente deve desconfiar de protocolos prontos, promessas imediatistas e indicações baseadas apenas em tendências das redes sociais. Também é importante conhecer os produtos, as tecnologias, os possíveis riscos e o plano de acompanhamento", afirma.

Para a especialista, o objetivo da harmonização não deve ser apagar os sinais naturais da idade ou transformar completamente a aparência. "Um bom planejamento não busca apagar a idade nem transformar a pessoa em outra. O objetivo deve ser preservar sua identidade, melhorar o que realmente incomoda e permitir que o rosto envelheça com saúde, leveza e naturalidade", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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