Pedro Andrade reflete sobre produtividade e excesso de trabalho: 'Aplaudimos o cansaço'
Em um vídeo recente, o jornalista citou estudos para questionar a valorização da exaustão e destacou o papel das pausas para o funcionamento da mente
O apresentador Pedro Andrade alertou sobre os prejuízos do excesso de trabalho, criticando a valorização social da exaustão. Citando estudos, ele destacou que a produtividade cai após 50 horas semanais e que o descanso estimula redes cerebrais ligadas à criatividade e à resolução de problemas. Andrade mencionou testes no Reino Unido onde semanas de quatro dias mantiveram os resultados e reduziram afastamentos médicos, concluindo que o verdadeiro segredo da produtividade é saber a hora de parar.
Trabalhar por mais horas não significa necessariamente produzir mais. O apresentador Pedro Andrade levantou essa discussão em suas redes sociais nesta semana, ao falar sobre os limites do excesso de trabalho e a importância de dar espaço para o cérebro descansar.
Talvez a sua cabeça esteja literalmente pifando. Depois de 55 horas de trabalho numa semana, a hora 56 vale zero. Recentemente, um economista da Universidade de Stanford provou que a nossa produtividade despenca depois de 50 horas semanais. Quem trabalha 70 horas por semana entrega em média o mesmo que quem trabalha 55. As últimas 15 horas simplesmente desaparecem, são inúteis", apontou.
O problema, conforme ressaltou o jornalista, é que a sociedade ainda costuma interpretar a exaustão como sinal de dedicação. "O sono é para quem não tem meta, para quem é preguiçoso. Descansar é para quem quer ser mediano [...]. Nós aplaudimos o cansaço como se ele fosse sinônimo de dedicação. Só que o cérebro não funciona assim", continuou.
Pedro Andrade detalha funcionamento da mente
Por outro lado, você já teve uma solução para um problema enquanto tomava banho, caminhava ou fazia exercícios? Pedro relacionou esses momentos ao funcionamento da Default Mode Network, rede cerebral envolvida em processos como memória e reflexão quando a atenção não está concentrada em uma tarefa.
"Não é à toa que algumas das maiores descobertas da ciência e da história aconteceram fora de uma mesa de trabalho. Arquimedes descobriu a densidade na banheira. Newton entendeu a gravidade embaixo de uma árvore. Einstein entendeu a relatividade olhando para um bonde passar. Décadas de estudos confirmam: parar de verdade ajuda o cérebro a resolver aquilo que ele não conseguiu resolver. Chuveiro, direção, caminhada, cozinhar, academia... Tudo isso tem uma coisa em comum: corpo ocupado, mente livre", explicou o jornalista.
Menos horas podem manter os resultados
Andrade citou ainda uma experiência realizada em 61 empresas do Reino Unido em 2022, que testou uma semana de quatro dias sem redução salarial. Segundo o apresentador, a produtividade foi mantida, enquanto os afastamentos por doença caíram 65%. O resultado não significa que uma jornada menor funcione para todas as profissões.
Entretanto, reforça o questionamento sobre a ideia de que aumentar continuamente as horas trabalhadas seja sinônimo de melhor desempenho. Para Pedro, o ponto está em reconhecer o momento certo para interromper a atividade: "O lance não é nunca parar, mas sim saber exatamente quando parar."
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