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'Aceitam-se pessoas, não personagens': Restaurantes do mundo todo estão banindo os influencers

Vítimas de 'carteiradas', calotes e luzes no salão, estabelecimentos impõem regras rígidas e resgatam o valor da avaliação profissional

2 set 2026 - 16h25
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Resumo
Restaurantes pelo mundo estão banindo influenciadores digitais devido a comportamentos invasivos e exigências abusivas, como pedidos de refeições gratuitas em troca de divulgação. Além do prejuízo financeiro causado por "carteiradas", o incômodo aos clientes comuns e o uso inadequado dos espaços motivaram a reação de chefs na Itália, Espanha e Inglaterra. Especialistas alertam que a visibilidade gerada por essas postagens não fideliza clientes reais nem garante a saúde financeira dos negócios.

Com a força das redes, esta cena tornou-se bastante comum nos restaurantes: tripés espalhados, luzes direcionadas para as mesas e pratos esfriando enquanto criadores de conteúdo buscavam o ângulo perfeito. Contudo, o tom nos bastidores da Gastronomia mundial mudou drasticamente.

Descubra por que restaurantes pelo mundo estão proibindo a entrada de influenciadores digitais e exigindo respeito aos clientes e aos negócios
Descubra por que restaurantes pelo mundo estão proibindo a entrada de influenciadores digitais e exigindo respeito aos clientes e aos negócios
Foto: Alberto Menendez/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Da Itália aos Estados Unidos, donos de estabelecimentos e chefs renomados decidiram banir os influenciadores digitais. Na pizzaria L'Evoluzione, na Sicília, uma placa fixada na porta manda o recado direto: "Aqui, os influencers não podem entrar (aceitam-se pessoas, não personagens)". A reação veio após o chef pizzaiolo, Lele Scandurra, receber um criador de conteúdo que pediu que o cardápio fosse mais "instagramável", consumiu uma refeição completa com acompanhante e foi embora sem pagar a conta. Nesse sentido, episódios de "carteirada" e proposta de refeição grátis em troca de visibilidade estão no topo das reclamações dos empresários.

Caos no salão dos restaurantes com os influenciadores

Por outro lado, a questão financeira é apenas parte do problema. Isso porque o comportamento invasivo dentro dos salões passou a incomodar os clientes que buscam apenas uma refeição tranquila.

  • Invasão de espaços: em Londres, por exemplo, o lendário restaurateur Jeremy King precisou impor restrições após criadores transformarem banheiros e escadarias em camarins e cenários para fotos.

  • Excesso de exigências: Assim, o hábito de exigir cortesias sem combinar previamente exauriu a paciência das pequenas equipes de cozinha.

Da mesma forma, estabelecimentos na Espanha, como o Pastifizzio, em Valladolid, agora deixam claro que não trocam pratos por avaliações: "Acreditamos que uma avaliação tem mais valor quando surge de forma espontânea, sem um convite por trás. Não trocamos comida por publicações ou opiniões".

A diferença entre opinião e credibilidade

Essa reação internacional acendeu um debate profundo sobre a responsabilidade de quem publica opiniões na Internet. Para especialistas do setor, o fenômeno lembra a antiga febre dos sites de compras coletivas. Na época, os cupons de desconto geravam filas e transtornos sem, no entanto, fidelizar clientes reais. Hoje, as postagens patrocinadas reproduzem o mesmo dilema: atrair visualizações não garante a saúde financeira do negócio.

Bons Fluidos
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