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Crianças em casamento: convidar ou não? Polêmica com Fabiana Justus reacende debate

Decisão de Fabiana Justus de não incluir filhos dos convidados na festa levanta discussão sobre os limites e desafios da presença de crianças em casamentos

30 ago 2026 - 12h11
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Resumo
A decisão de Fabiana Justus de restringir crianças em sua renovação de votos reabriu o debate sobre a presença infantil em casamentos. Segundo especialistas, não há regra única: incluir os pequenos fortalece laços familiares e memórias, mas eventos longos podem sobrecarregá-los. Por outro lado, festas apenas para adultos facilitam a logística do casal e dão descanso aos pais, embora excluam quem não tem rede de apoio. No fim, a escolha depende do formato do evento e dos noivos.

A renovação dos votos de Fabiana Justus e Bruno Levi D'Ancona, realizada na Bahia, terminou, mas uma decisão tomada pelo casal para a comemoração continua repercutindo nas redes sociais. A empresária optou por uma festa de casamento voltada apenas para adultos - com exceção das crianças de sua própria família - e acabou recebendo críticas pela escolha.

Crianças devem ir a casamentos? Polêmica envolvendo Fabiana Justus reacende debate, e psicóloga explica os prós e contras dessa escolha
Crianças devem ir a casamentos? Polêmica envolvendo Fabiana Justus reacende debate, e psicóloga explica os prós e contras dessa escolha
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

O assunto veio à tona depois que Fabiana abriu uma caixa de perguntas no Instagram. Ao ser questionada sobre como havia informado aos convidados que seus filhos não deveriam acompanhá-los, ela mostrou que o próprio convite trazia, de maneira discreta, a expressão "adults only", ou "apenas adultos".

Por que as crianças não foram convidadas?

Questionada, Fabiana explicou que a decisão estava relacionada principalmente à estrutura disponível para receber os convidados. "A festa teria que ter o dobro do tamanho se todos levassem os filhos... não conseguiríamos acomodar quase todos no hotel (como fizemos), enfim... nossos amigos nos agradeceram porque tiveram esse momentinho de casal também! Kkkk", respondeu.

A discussão ganhou novos contornos quando internautas começaram a questionar por que os filhos, sobrinhos e a irmã mais nova de Fabiana estiveram presentes, enquanto os convidados não puderam levar suas crianças. Diante das mensagens, ela rebateu: "Recebi várias mensagens dessas... acho muito louco que os convidados que vieram não acharam ruim, mas pessoas que não foram convidadas estão ofendidas", escreveu.

A situação levantou uma discussão que está longe de ser exclusiva das festas de famosos: afinal, crianças devem ser convidadas para casamentos ou é perfeitamente aceitável organizar uma celebração apenas para adultos?

Crianças em casamento: existe uma escolha certa?

Casamentos costumam envolver decisões bastante pessoais dos noivos. Número de convidados, local, horário, orçamento e estilo da comemoração são apenas alguns dos fatores que interferem na lista - e a presença de crianças pode entrar nessa conta.

Para a psicóloga Daniela Cotes, é possível observar a questão por dois ângulos, já que tanto incluir quanto não incluir os pequenos pode trazer implicações para as famílias.

"Um dos pontos positivos de incluir as crianças em casamentos é a possibilidade de elas participarem de experiências sociais e familiares significativas criando nelas um senso de pertencimento. Para os adultos, também pode ser uma experiência positiva por permitir que compartilhem um momento importante da vida com os filhos, sem necessariamente precisar separá-los desse contexto", explicou ela.

"Por outro lado, é importante considerar que casamentos podem ser ambientes bastante exigentes para uma criança. São eventos longos, com muitos estímulos, mudança de rotina, barulho e expectativas de comportamento que nem sempre são compatíveis com o nível de autorregulação que ela já desenvolveu. Quando a criança se sobrecarrega, fica cansada ou faz uma birra, o adulto pode precisar interromper a própria experiência para acolhê-la e ajudá-la a se regular. Isso pode gerar frustração, principalmente quando ele sente que está perdendo momentos da festa ou que não consegue aproveitar o evento como gostaria. Enquanto que para a criança, aquele comportamento pode ser justamente a forma que ela encontrou de expressar que chegou ao seu limite", ponderou a especialista.

O lado positivo de levar os filhos

Uma cerimônia de casamento também é uma experiência social. Para a criança, participar de encontros familiares, comemorações e rituais importantes pode ajudar a construir memórias e fortalecer a sensação de fazer parte daquele grupo.

Há ainda situações em que a presença dos pequenos torna-se, praticamente, parte da própria proposta da celebração. Especialmente quando os noivos mantêm uma relação próxima com eles ou quando se trata de uma reunião essencialmente familiar.

Para alguns pais, poder levar os filhos também facilita a participação. Nem toda família possui uma rede de apoio disponível para cuidar das crianças durante várias horas - ou até por alguns dias, quando o casamento envolve uma viagem.

E por que uma festa sem crianças também pode fazer sentido?

Por outro lado, existe a experiência dos próprios pais. Um casamento costuma durar várias horas e frequentemente avança pela madrugada, com música alta, muita gente, iluminação intensa e uma rotina bastante diferente daquela à qual uma criança está acostumada.

Quando os pequenos chegam ao limite, comportamentos como choro, irritação e birras podem aparecer. Como explica Daniela, isso não significa necessariamente que estejam "se comportando mal": pode simplesmente ser a maneira encontrada para demonstrar cansaço ou sobrecarga.

Nesse cenário, os responsáveis precisam mudar o foco da festa para atender às necessidades da criança. Dependendo da situação, isso pode significar sair durante a cerimônia, interromper uma conversa, procurar um lugar tranquilo ou até ir embora mais cedo.

Uma celebração somente para adultos, portanto, também pode representar para alguns casais convidados a oportunidade de passar algumas horas juntos sem precisar conciliar a festa com os cuidados dos filhos.

Da mesma maneira, é preciso considerar que nem todo convidado conseguirá participar nessas condições. Uma pessoa pode não ter com quem deixar o filho, não se sentir confortável em fazê-lo ou simplesmente decidir que aquela logística não funciona para sua família.

No fim, de quem é a decisão?

Não existe uma regra capaz de funcionar para todos os casamentos. Crianças podem tornar uma celebração mais afetiva e familiar, enquanto uma festa exclusivamente adulta pode oferecer aos convidados uma experiência diferente e facilitar questões de espaço, horário e orçamento.

A decisão sobre o formato da festa cabe aos noivos, assim como cabe aos convidados avaliar se conseguem participar dentro das condições propostas.

Talvez a repercussão do caso de Fabiana mostre justamente como uma escolha aparentemente simples toca em diferentes expectativas sobre casamento, família e maternidade. Em vez de procurar uma resposta universal para a pergunta "criança deve ir a casamento?", vale considerar algo mais simples: qual formato faz sentido para aquela celebração e para as pessoas envolvidas nela?

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