'Super Bebês': o alerta contra suplementos divulgados por médicos para 'turbinar' o desenvolvimento de crianças
Ministério da Saúde, Febrasgo e Cremesp afirmam que prática encontrada nas redes sociais não tem respaldo científico e pode trazer riscos
Protocolos de suplementação para bebês, que podem começar ainda na barriga da mãe, ganharam espaço nas redes sociais nos últimos meses e têm motivado alertas de instituições médicas e órgãos de saúde. A prática promete aumentar o quociente de inteligência (QI) dos bebês, fortalecer o sistema imunológico e melhorar o desenvolvimento fetal com a administração de vitaminas e aminoácidos, muitas vezes por via injetável.
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Mas especialistas afirmam que não há evidências científicas que sustentem essas promessas e afirmam que a suplementação durante a gravidez deve ser individualizada e baseada em avaliação médica.
Segundo o conteúdo publicado nas redes, bebês podem ficar mais inteligentes e resistentes se a gestante consumir determinados suplementos. Os vídeos que viralizam mostram até médicas grávidas recebendo vitaminas na veia. Em outros, consultados pelo Terra nesta terça-feira, 2, há listas de substâncias.
As publicações somam milhares de visualizações e ainda redirecionam para links em que usuários conseguem receitas de suplementos para crianças com apenas dois meses. O critério para definição de dosagem é o peso e a idade da criança. Cada receita custa R$ 297, sem os cupons de desconto aos quais o usuário também pode ter acesso.
As promessas de um bebê mais inteligente, com um desenvolvimento neurológico acima da média, chamaram a atenção de tanta gente que motivou o Ministério da Saúde a publicar um alerta nas redes sociais classificando o protocolo como desinformação.
Na postagem, a pasta orientou a população a desconfiar de promessas consideradas milagrosas e reforçou que o método não possui comprovação científica. O órgão também diz que o acompanhamento pré-natal regular, a vacinação e uma alimentação equilibrada continuam sendo as recomendações reconhecidas para uma gestação saudável.
A posição é compartilhada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A entidade também se manifestou nas redes sociais e informou que o uso de vitaminas orais e injetáveis com a promessa de aumentar a inteligência ou a imunidade dos bebês não está previsto em diretrizes clínicas reconhecidas e carece de evidências robustas que comprovem sua eficácia.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também afirmou que a divulgação do protocolo pode induzir gestantes ao erro e ressaltou que a promoção de tratamentos sem respaldo científico pode ferir normas éticas da profissão médica. O conselho informou ainda que acompanha casos de divulgação de práticas consideradas sensacionalistas nas redes sociais.
Segundo especialistas, o principal problema é que a utilização indiscriminada de substâncias durante a gestação pode provocar efeitos adversos tanto para a mãe quanto para o bebê. A Febrasgo afirma que entre suplementos com indicação reconhecida estão o ácido fólico, o ferro, o cálcio e, em situações específicas, a vitamina D, sempre de acordo com as necessidades de cada paciente.
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